"Os restos mortais de Santa Rita, que neste dia aqui veneramos, constituem um testemunho significativo da obra que o Senhor realiza na história, quando encontra corações humildes e disponíveis ao seu amor. Vemos um corpo franzino de uma mulher, pequena de estatura mas grande na santidade, que viveu na humildade e agora é conhecida no mundo inteiro pela sua heróica existência cristã de esposa, de mãe, de viúva e de monja. Arraigada profundamente no amor de Cristo, Rita encontrou na sua fé inabalável a força para ser em toda a circunstância mulher de paz.
No seu exemplo de total abandono a Deus, na sua transparente simplicidade e na sua granítica adesão ao Evangelho é possível, também a nós, encontrar as indicações oportunas para sermos cristãos autênticos neste alvorecer do terceiro milénio.
2. Mas qual é a mensagem que esta Santa nos transmite? É uma mensagem que emerge da sua vida: humildade e obediência foram a via pela qual Rita caminhou para uma semelhança sempre mais perfeita ao Crucificado. O estigma que brilha na sua testa é a autenticação da sua maturidade cristã. Na Cruz com Jesus, ela de certo modo formou-se naquele amor, que tinha já conhecido e expresso de maneira heróica entre as paredes de casa e na participação nas vicissitudes da sua cidade.
Seguindo a espiritualidade de Santo Agostinho, fez-se discípula do Crucificado e, "perita no sofrer", aprendeu a entender os sofrimentos do coração humano. Rita tornou-se assim advogada dos pobres e dos desesperados, obtendo para quem a tenha invocado nas mais diversas situações inúmeras graças de consolação e de conforto.
Rita de Cássia foi a primeira mulher a ser canonizada no Grande Jubileu do início do século XX, a 24 de Maio de 1900. Ao decretar a sua santidade, o meu Predecessor Leão XIII observou que ela agradou a Cristo, tanto que a quis marcar com o selo da sua caridade e da sua paixão. Esse privilégio foi-lhe concedido devido à sua humildade singular, ao afastamento das ambições terrenas e ao admirável espírito penitencial, que acompanharam todos os momentos da sua vida (cf. Carta Apost. Umbria gloriosa sanctorum parens, Acta Leonis XX, pp. 152-153).
3. É-me grato neste dia, a cem anos da sua canonização, repropô-la como sinal de esperança especialmente às famílias. Queridas famílias cristãs, imitando o seu exemplo, sabei também vós encontrar na adesão a Cristo a força para realizar plenamente a vossa missão ao serviço da civilização do amor!
Se perguntamos a Santa Rita qual é o segredo para esta extraordinária obra de renovação social e espiritual, ela responde-nos: a fidelidade ao Amor crucificado. Com Cristo e como Cristo, Rita chegou à Cruz sempre e só por amor. Como ela, então, dirijamos o olhar e o coração a Jesus morto na cruz e ressuscitado para a nossa salvação. É Ele, o nosso Redentor, que torna possível, como fez para esta querida Santa, a missão de unidade e de fidelidade que é própria da família, também nos momentos de crise e dificuldade. É ainda Ele que torna concreto o empenho dos cristãos em construir a paz, ajudando-os a superar os conflitos e as tensões, infelizmente tão frequentes na vida quotidiana.
4. A Santa de Cássia pertence à grande plêiade das mulheres cristãs que "tiveram um influxo significativo na vida da Igreja, como também na da sociedade" (Carta Apost. Mulieris dignitatem, 27). Rita interpretou bem o "génio feminino", viveu-o intensamente na maternidade tanto física como espiritual.
No sexto centenário do seu nascimento, eu recordava que a sua lição "se concentra nestes elementos típicos de espiritualidade: a oferta do perdão e a aceitação do sofrimento, não por uma forma de resignação passiva [...], mas pela força daquele amor a Cristo que precisamente no episódio da coroação sofreu, com as outras humilhações, uma atroz paródia da sua realeza" (Insegnamenti V/1 [1982], 874)."
São João Paulo II
Via Página Caritas In Veritate - Apostilado Cáritas.: https://www.facebook.com/apostoladocaritas
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