CRISTO SACERDOTE A SEMELHANÇA DE MELQUISEDEC - PORQUE NÃO ARAÃO?!

CRISTO SACERDOTE A SEMELHANÇA DE MELQUISEDEC PORQUE NÃO ARAÃO
(Melquisedec Rei e Sacerdote de Salém Gênesis 14, 18-2)


Segundo a Lei dada por Deus a Moisés, os sacerdotes da Antiga Aliança deveriam vir da tribo de Levi. Portanto, os primeiros sacerdotes da Antiga Lei foram Arão e seus filhos. Contudo, quando veio o Sacerdote Perfeito — Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem — descobriu-se que Ele era da tribo de Judá, não de Levi. Por que, então, Cristo não descendia da linhagem de Arão? E por que as Escrituras O chamam de Sacerdote não segundo a ordem de Arão, mas segundo a ordem de Melquisedeque?

O sacerdócio é uma realidade presente em quase todas as culturas e religiões do mundo. Já na antiguidade, existiam indivíduos designados para conduzir o culto e atuar como intermediários entre o mundo divino e a humanidade. Nas religiões pagãs, seu papel era principalmente o de oferecer sacrifícios para apaziguar as divindades ou garantir o favor de forças sobrenaturais. Isso é comprovado por fontes do antigo Egito, Grécia e Roma, bem como pelas tradições dos povos indígenas das Américas.

Sacerdócio da Antiga Aliança:
Israel também tinha seu próprio sacerdócio, estabelecido diretamente por Deus. O Antigo Testamento revela que o próprio Deus escolheu Arão e seus filhos para realizar o serviço sagrado e especificou em detalhes tanto seus deveres quanto a maneira de consagração. No livro de Êxodo, lemos:

"Ordena a Arão, teu irmão, e a seus filhos, escolhidos dentre os israelitas, que se aproximem de ti, para que me sirvam como sacerdotes" (Êxodo 28,1).

O sacerdócio do Antigo Testamento, portanto, não era uma invenção humana nem uma função social, mas uma realidade estabelecida pelo próprio Deus. Assim, as vestes sacerdotais também foram precisamente prescritas por Deus: o peitoral, o éfode, a túnica, a tiara e o cinto deveriam ser feitos de materiais preciosos e adornados com ouro, púrpura e carmesim. Tudo isso visava enfatizar a sacralidade do ofício e a dignidade daqueles destinados ao serviço de Deus.

O rito de consagração dos sacerdotes é descrito com igual precisão. Moisés lavou Arão e seus filhos com água, ungiu-os com óleo e os vestiu com vestes sagradas. Esse rito enfatizava que o sacerdote era separado da vida comum e dedicado exclusivamente ao serviço de Deus.

Os sacerdotes tinham a tarefa de oferecer vários tipos de sacrifícios: ofertas pelo pecado, holocaustos, ofertas de comunhão e ofertas de cereais. Todos esses sacrifícios tinham o propósito de expressar louvor a Deus, gratidão, pedido de perdão dos pecados ou reconciliação entre o homem e Deus. O livro de Levítico descreve como Arão deveria oferecer sacrifícios tanto por si mesmo quanto pelo povo, fazendo expiação perante Deus.

O sacerdote era, portanto, um intermediário entre Deus e a humanidade. Por um lado, ele levava a Deus as orações e os sacrifícios oferecidos em nome do povo e, por outro, transmitia as bênçãos e graças de Deus ao povo. O próprio nome latino para sacerdote – "sacerdos" – significa "aquele que dá coisas sagradas". O autor da Carta aos Hebreus resume essa função nestas palavras:

"Pois todo sumo sacerdote, escolhido dentre os homens, é constituído para servir aos homens nas coisas concernentes a Deus, a fim de oferecer dons e sacrifícios pelos pecados" (Hebreus 5,1).

O sacerdote, portanto, tinha que ser um ser humano, pois somente um ser humano poderia representar a humanidade perante Deus. Nem mesmo os anjos, embora superiores aos humanos em sua perfeição natural, podiam cumprir essa função mediadora.

O Sacerdote Mais Perfeito:
O mediador mais perfeito entre Deus e a humanidade é Jesus Cristo. O mistério da Encarnação fez com que o Filho de Deus Se tornasse verdadeiro Homem sem deixar de ser verdadeiro Deus. Na única Pessoa divina de Cristo, duas naturezas — divina e humana — foram unidas sem confusão ou divisão. Graças a isso, Cristo possui tudo o que pertence a Deus e tudo o que pertence à humanidade, exceto o pecado.

É isso que O torna o mediador perfeito. São Paulo escreveu a Timóteo: "Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus" (1 Timóteo 2,5).
O Apóstolo usou deliberadamente as palavras "homem, Cristo Jesus", porque a mediação de Cristo só se tornou possível com a Encarnação. Embora fosse eternamente Deus, foi somente no momento de Sua concepção no ventre de Maria Santíssima que Ele também Se tornou homem, assumindo a natureza humana. Tendo tanto em comum com ambos os lados — Deus e a humanidade — Ele é o mediador perfeito entre eles. Ele leva nossas orações e sacrifícios ao Pai e, sobretudo, o Sacrifício mais perfeito da Missa. Ele, por sua vez, obtém graças e dons das pessoas, que generosamente lhes concede. Ele é, portanto, o Sacerdote mais perfeito.

Cristo não era da tribo de Levi:

Os evangelistas São Mateus e São Lucas, ao apresentarem a genealogia do Salvador, concordam que Ele descendia da tribo de Judá. Enquanto a tradição atribui a descendência da casa de Levi a Maria — Sua mãe —, no judaísmo, a genealogia era contada pela linha paterna. Como, então, poderia Cristo ser um sacerdote se não pertencia à tribo de Levi? E por que o Salmista O chama de "sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque" (Sl 109,4)?

O sacerdócio de Cristo supera o da Antiga Aliança. Enquanto os sacerdotes do Antigo Testamento sacrificavam animais a Deus, Cristo ofereceu a Si mesmo. Na cruz, Ele Se tornou tanto Sacerdote quanto Sacrifício — o Sacrifício mais perfeito, porque continha o próprio Deus.

"Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, assim como nós, foi tentado em todas as coisas, porém sem pecado", lemos na Carta aos Hebreus (Hebreus 4,15). E alguns capítulos depois, está escrito:
"Pois precisávamos de um sumo sacerdote como esse: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus, não obrigado, como os demais sumos sacerdotes, a oferecer sacrifícios diariamente, primeiro por seus próprios pecados e depois pelos pecados do povo. Ele, porém, ofereceu a Si mesmo uma vez por todas para fazê-lo. Porque a lei designou como sumos sacerdotes homens sujeitos à fraqueza; mas a palavra do juramento, conforme a lei, designou como sumo sacerdote o Filho, aperfeiçoado para sempre" (Hebreus 7,26-28).

O sacerdócio da Antiga Lei era meramente uma prefiguração do sacerdócio de Cristo, uma figura e sombra de uma realidade futura. Não podia verdadeiramente apagar os pecados nem assegurar a plena reconciliação com Deus. Podia apenas apontar para o futuro Sacrifício de Cristo, como escreve Santo Tomás de Aquino na sua Suma Teológica:

"Uma vez que o sacerdócio da Antiga Lei era uma figura do sacerdócio de Cristo, Cristo não quis nascer de uma raça de sacerdotes figurativos. Isso deixou claro que o Seu sacerdócio não era exatamente como o deles, mas diferia dele tanto quanto a realidade difere da figura" (ST III, q. 22, a.1, ad 2).

Mas por que a figura de Melquisedeque — um sacerdote misterioso de fora do povo eleito — se torna o modelo para o sacerdócio de Cristo? Santo Tomás de Aquino também responde a essa pergunta:

"Cristo é chamado de sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, não porque Melquisedeque fosse um sacerdote mais perfeito, mas porque ele prefigurava a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico" (ibid., a. 6, ad 1). Noutras palavras, a figura de Melquisedeque aparece no Livro do Gênesis deliberadamente como uma prefiguração do Cristo vindouro - o Sumo e Eterno Sacerdote.

Melquisedeque era rei de Salém e, ao mesmo tempo, "sacerdote do Deus Altíssimo". Quando Abraão retornou de uma batalha vitoriosa, Melquisedeque o recebeu com pão e vinho, o abençoou, e Abraão lhe pagou o dízimo. Ele era uma figura extremamente misteriosa, como enfatiza o autor da Epístola aos Hebreus: "Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tem princípio de dias nem fim de vida" (Hb 7,3).

Melquisedec um precursor de Cristo:

Melquisedeque foi uma prefiguração de Cristo Sacerdote por diversas razões. Primeiro, assim como Cristo, ele não era da linhagem de Levi. Segundo, assim como Cristo, ele era tanto sacerdote quanto rei. Também é significativo o fato de ele ter oferecido o pão e o vinho que, milhares de anos depois, se tornariam a substância do Santo Sacrifício de Cristo. Finalmente, visto que as Sagradas Escrituras não fornecem sua genealogia e até mesmo afirmam que "não há princípio de dias nem fim de vida", Melquisedeque tornou-se uma figura do Sacerdote eterno — Jesus Cristo, que em sua natureza divina não tem princípio nem fim.

O sacerdócio da Lei não lavava os pecados, nem era eterno, ao contrário do sacerdócio de Cristo. E por ser a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico prefigurada no sacerdócio de Melquisedeque, que recebeu dízimos de Abraão, e em Abraão o sacerdócio da Lei também pagou dízimos, é que se diz, portanto, que o sacerdócio de Cristo é 'segundo a ordem de Melquisedeque', por causa da superioridade do verdadeiro sacerdócio sobre o sacerdócio figurativo da Lei.

Dessa forma, o sacerdócio de Melquisedeque não era apenas uma prefiguração, mas também um testemunho da superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio da Antiga Aliança.

O sacerdócio de Cristo foi transmitido.
Embora Cristo seja o Sumo e Eterno Sacerdote, Ele quis que Seu sacerdócio estivesse presente e continuasse na Terra mesmo após Sua Ascensão. Portanto, instituiu o sacramento da Ordem, por meio do qual conferiu aos Apóstolos o poder de transformar o pão e o vinho em Seu Corpo e Sangue. Os Apóstolos, por sua vez, transmitiram esse poder aos seus sucessores. Também estes sacerdotes da Nova Aliança conservaram aquela função que tinham os da Antiga Lei: Transmitir bênçãos e graças, como o perdão dos pecados em nome do Senhor e demais dons dos sacramentos, a serviço do Sumo Sacerdote -- Cristo.

Assim, estabeleceu-se a sucessão apostólica, graças à qual a Igreja ainda hoje tem sacerdotes. De cada sacerdote validamente ordenado, pode-se traçar uma cadeia ininterrupta de ordenações até os Apóstolos e, por meio deles, até o próprio Cristo.

Os sacerdotes da Nova Aliança não possuem um sacerdócio próprio e distinto, mas participam do único sacerdócio de Cristo. Portanto, toda Missa celebrada validamente é o mesmo Sacrifício de Cristo, tornado sacramentalmente presente até o fim dos tempos. O sacerdote não age em seu próprio nome ou por seu próprio poder, mas "in persona Christi" – na Pessoa de Jesus Cristo. Ao celebrar o Santo Sacrifício e os outros sacramentos, é o próprio Cristo que age por meio dele. O sacerdócio católico, portanto, não é meramente um ofício ou uma função, mas uma participação real no único e eterno sacerdócio de Jesus Cristo.
Por Adrian Fyda. Fonte Via Página Sou Católico.: https://www.facebook.com/soucatolicoeadefendo

Assistam os vídeos abaixo com Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr:







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