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15 março 2026

A VISÃO DOS DEMÔNIOS EM FUGA DURANTE A SANTA MISSA POR SANTA BRÍGIDA:

A Visão de Demônios Fugindo Durante a Missa Por Santa Brígida!
Entre as revelações registradas nas Revelações de Santa Brígida da Suécia, há um relato espiritual muito citado onde descreve o efeito da Santa Missa sobre os demônios.

Certa vez, enquanto assistia à Santa Missa com grande recolhimento, Santa Brígida da Suécia foi favorecida com uma visão espiritual. Quando o sacerdote iniciou as orações do altar, seus olhos espirituais foram abertos e ela viu algo invisível aos demais fiéis. Ao redor da igreja havia numerosos demônios. Eles estavam próximos das pessoas presentes e tentavam:

distrair os fiéis;
suscitar pensamentos mundanos;
provocar tédio e indiferença durante a celebração.

Alguns se colocavam junto às pessoas para sussurrar distrações ao coração, enquanto outros pareciam observar atentamente aqueles que estavam mais recolhidos. Quando a Missa avançou para a consagração, ocorreu algo impressionante.
No instante em que o sacerdote pronunciou as palavras:

“Hoc est enim Corpus Meum” — (“Isto é o meu Corpo”)

Santa Brígida viu uma luz intensa descer sobre o altar. Nesse momento: muitos demônios começaram a gritar de ódio, outros recuaram imediatamente, vários fugiram para fora da Igreja como se fossem expulsos por uma força irresistível. Ela percebeu que eles não suportavam a presença real de Cristo na Eucaristia. Alguns ainda tentavam permanecer próximos daqueles fiéis que estavam distraídos ou frios espiritualmente, mas não conseguiam aproximar-se das almas recolhidas em oração. Então, O Senhor Jesus Cristo fez Santa Brígida compreender:

“Quando o meu Sacrifício é oferecido, o poder do inferno é enfraquecido. Os demônios temem a presença do meu Corpo e do meu Sangue.”

E acrescentou:

“Mas quando os homens assistem à Missa sem devoção, eles permitem novamente a aproximação daqueles inimigos.”

Santa Brígida entendeu então que a Missa é uma poderosa proteção espiritual, não apenas para os presentes, mas também para o mundo inteiro. Com efeito, na visão, os demônios tentavam distrair os fiéis. Quantas vezes o nosso corpo está na igreja, mas a mente está em outro lugar?
Pensamos no trabalho, problemas, celular, compromissos ou até olhamos ao redor para ver quem chegou e acabamos até pensando na "morte da bezerra". A pergunta que fica é: se eu estivesse diante de Cristo visivelmente, eu estaria assim? A distração constante mostra que, muitas vezes, não percebemos a grandeza do que está acontecendo no altar.

Outro defeito descrito é o tédio ou indiferença.
Não deixemos a nossa postura na Missa em algo automático: vamos porque “é obrigação”; repetimos respostas sem pensar; esperamos terminar rápido. A Missa é o mesmo Sacrifício do Calvário tornado presente sacramentalmente. Se ela se torna monótona para nós, é devido ao coração que perdeu a capacidade de adorar em Espírito e em verdade ao Sagrado. Por isso, o combate contra o tédio começa com pequenas atitudes: recordar sempre que Cristo me vê, e eu o vejo presente na Santíssima Eucaristia.

Na visão também, os demônios não conseguiam aproximar-se das almas recolhidas em atenção e oração. O recolhimento cria uma espécie de fortaleza espiritual. O silêncio, atenção, piedade e oração, cria uma espécie de proteção espiritual. Quando a alma está voltada para Jesus Cristo, unida ao mistério da Eucaristia, ela fica menos vulnerável às distrações, tentações e sugestões que afastam o coração de Deus. Por isso, o inimigo tenta primeiro roubar o recolhimento. Ele não começa com grandes pecados, mas com coisas pequenas:

pensamentos dispersos;

curiosidade sobre tudo ao redor;

impaciência;

olhar constante desordenado para outras pessoas, para o relógio e pior ainda o celular, sem motivos de extrema importância;

Quando a pessoa entra nesse estado de dispersão, a alma perde a vigilância interior. E por isso, muitos “assistem” à Missa como quem assiste a algo externo. Mas participar DELA é diferente, pois significa:

Unir a própria vida ao sacrifício de Cristo. Por isso, cada fiel é chamado a participar com atenção e recolhimento. Um coração em oração, mesmo simples, torna-se um lugar onde Deus encontra espaço para agir e o demônio para fugir.

Eu tenho dado espaço para bem participar da Santa Missa em minha caminhada? 

— Referências:

[Revelações de Santa Brígida - Livro IV]

E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz! 

℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.

Descansem em paz. Amém.

℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.

"Para Cristo,
 por Maria e José,
 em súplicas pelas
 almas do purgatório".🙏🏾

† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!

Créditos na Imagem Via Página Apostulim Purgatorium.: https://www.facebook.com/apostulimpurgatorium 

08 fevereiro 2026

DOMINGO: O DIA DO SENHOR, DIA DE MISSA E DE FAMÍLIA!

🌿 Domingo: O Dia do Senhor
O domingo não é apenas o fim de semana — é o coração da vida cristã. Desde os tempos apostólicos, a Igreja se reúne neste dia para celebrar a Ressurreição de Cristo, fonte da nossa esperança e da nossa salvação. Guardar o domingo é reconhecer que Deus vem antes de tudo e que nossa vida encontra sentido quando colocada diante d’Ele.

Ir à Santa Missa não é uma obrigação vazia, mas um encontro vivo com Jesus na Palavra e na Eucaristia. É alimento para a alma, força para a caminhada e comunhão com toda a Igreja. Ao mesmo tempo, o domingo é também dia de descanso santo, de reconstruir os laços familiares, cultivar a caridade e renovar o coração longe da correria e das preocupações excessivas.
Guardar o domingo é dizer com a própria vida:
👉 Deus é o centro.
👉 A família é um dom.
👉 A alma precisa de descanso e de graça.

Quando santificamos o domingo, toda a semana ganha direção, equilíbrio e paz. Não é perda de tempo — é ganho de eternidade.

✨ “Sem o Domingo, não podemos viver.” (Santos Mártires de Abitínia)

Texto e Créditos na Imagem Via Página Irmandade Nossa Senhora do Rosário.: https://www.facebook.com/irmandadenossasenhoradorosariotaubate

01 fevereiro 2026

O MISTÉRIO DA EUCARISTIA

🕊️ O Mistério da Eucaristia —
 Arcipreste Vsevolod Shpiller

Na reflexão do Arcipreste Vsevolod Shpiller, a Eucaristia não é simplesmente uma lembrança ou símbolo do passado: ela faz presente a realidade da salvação e nos introduz na vida divina de Cristo. 

🔹 1. A Liturgia é encontro com Deus.

A Liturgia — palavra que significa serviço comum — existe para nos aproximar de Deus e da vida espiritual. 

🔹 2. Cristo instituiu a Eucaristia na Última Ceia: Jesus, reunindo os discípulos na noite em que seria traído, não apenas prescreveu um rito, mas instaurou o sacramento central da vida da Igreja: o Pão e o Vinho como Seu Corpo e Sangue. 

🔹 3. No Mistério Eucarístico, o tempo é transformado: Durante a Liturgia, o passado (Paixão, Ressurreição e Ascensão de Cristo), o presente e o futuro (a nossa própria vida, morte e ressurreição em Cristo) tornam-se realidade vivida, não apenas recordada. Isso não é ideia abstrata, mas realidade espiritual: a ação de Deus que transcende o tempo humano. 

🔹 4. Jesus está realmente presente no meio de nós:
No centro da Eucaristia está a presença viva de Cristo entre os fiéis — não apenas na memória, mas na própria vida que Ele comunica a nós. 

🔹 5. A Eucaristia une toda a Igreja:
O Mistério Eucarístico é também a fonte da verdadeira unidade: os que participam do mesmo Pão e do mesmo Cálice são um só corpo em Cristo — os vivos e os que já partiram. 

🔹 6. A Eucaristia transforma e amplia a vida cristã: Ao comungar dignamente, não apenas recordamos Cristo, mas entramos na Sua vida e recebemos Sua força para transformar o mundo por meio de nosso testemunho e ações.

🌟 Em síntese:

Para o Arcipreste Shpiller, a Eucaristia é:

Presença real de Cristo, não apenas símbolo;

Momento em que o tempo se abre à eternidade;

Fonte de unidade e de vida espiritual;
Centro verdadeiramente vivo da Igreja e da nossa vida cristã. Texto e Créditos na Imagem Via Página Santos Padres da Igreja:
https://www.facebook.com/marcosikitos

23 janeiro 2026

A MISSA EM LATIM OU A MISSA TRIDENTINA!

A afirmação de que o Rito Romano nasceu no "vernáculo" é um dos mitos mais persistentes e incontestados no estudo litúrgico moderno. Serve como pedra angular para quase todos os argumentos a favor da reforma linguística radical, mas desmorona sob um escrutínio sério da história linguística e do design ritual

Afirmar que o latim do Cânon Romano era simplesmente a 'fala de rua' do terceiro ou quarto século não é apenas um erro histórico, é uma completa invenção, uma narrativa absurda que ignora a própria natureza da linguagem sagrada. Todas as evidências disponíveis sugerem que a Liturgia Romana foi formulada como um idioma hierático e sagrado desde sua concepção, em contraste intencional com a linguagem comum do mercado romano. Quando os estudiosos respondem levianamente que 'o latim já foi a língua vernácula', eles demonstram uma profunda ignorância da estratificação linguística do mundo antigo. Mesmo no auge do Império, havia um vasto abismo entre o Sermo Vulgaris (a fala comum) e o latim estilizado, rítmico e elevado usado no direito, na poesia e nas cerimônias de Estado

O Rito Romano não adotou a gíria da subura; adotou e, em seguida, transcendeu o "estilo elevado" da tradição romana. O latim da Missa é caracterizado por um "estilo litúrgico" específico, marcado por arcaísmos, um vocabulário sagrado e uma estrutura retórica complexa conhecida como cursus. Essas características nunca fizeram parte da língua vernácula; eram ferramentas de uma linguagem hierática, concebida para se comunicar com o Divino, não para facilitar uma conversa casual entre vizinhos

O grego era a língua do comércio internacional, o latim era a língua da identidade romana. A tradição antiga e o Liber Pontificalis registram que, ao chegar à capital, São Pedro residiu na casa do senador romano Cornélio Pudens. Essa casa, o Titulus Pudentis, serviu como um centro de referência da missão romana inicial. Vivendo dentro das paredes de uma família patrícia como os Pudentii ou os Cornelii, Pedro não estava ministrando a uma colônia de língua grega isoladamente, mas inserido em um ambiente latino nativo. Para um senador romano e sua família participarem da liturgia, eles naturalmente buscariam sua expressão na solenidade da linguagem latina. Nesses santuários domésticos, o Rito Romano provavelmente já estava sendo praticado em um latim cristão hierático, distinto do latim falado nas ruas

De fato, a afirmação de que o Rito Romano passou por uma "transição" do grego para o latim é outro pilar do consenso moderno que carece das evidências linguísticas necessárias para sustentá-lo. Se o Cânon Latino fosse uma tradução de um original grego, estaria repleto de "sombras linguísticas": helenismos, estranhezas sintáticas, empréstimos linguísticos que inevitavelmente transparecem quando uma língua é forçada a se encaixar na de outra. No entanto, o Cânon Romano é um monumento de latinidade pura, sofisticada e de alto estilo. Possui uma estrutura rítmica e oratória que é exclusiva do gênio latino. Não se lê como uma tradução porque não é; carrega todas as características de uma composição original, formulada na própria língua que mantém há dois milênios

O registro arqueológico apoia ainda mais essa latinidade primordial. O grafite Christianos em Pompeia, preservado pela erupção de 79 d.C., prova que a população romana identificava essa nova fé em latim poucas décadas após a chegada do Apóstolo. Da mesma forma, a "Praça Sator" encontrada nas mesmas ruínas, um engenhoso anagrama latino para "Pai Nosso", sugere que a própria oração ensinada pelo Senhor estava sendo codificada em latim para uso litúrgico ou devocional enquanto os Apóstolos ainda caminhavam sobre a Terra. Se o "Pai Nosso" foi latinizado tão cedo, é razoável supor que o Sacrifício ao redor também o tenha sido.

O elo histórico mais forte com essa presença latina inicial é a existência dos manuscritos da "Vetus Latina", ou Bíblia Latina Antiga. Fragmentos dessas traduções são anteriores à Vulgata de São Jerônimo em séculos, parecendo ter se originado no final do século I ou início do século II. Se a Palavra de Deus estava sendo proclamada em latim aos fiéis romanos durante essa época, é altamente improvável que o ato central de adoração, a Eucaristia, tenha permanecido exclusivamente em uma língua estrangeira. Essa romanidade sugere que o núcleo da Missa era uma expressão nativa da Fé, preservada pela tradição oral desde a época dos Apóstolos

Com base nessa fundação de transmissão oral, está o trabalho acadêmico de Birger Gerhardsson, cuja pesquisa sobre os métodos rabínicos de comunicação oferece uma estrutura convincente para a liturgia latina primitiva. Gerhardsson argumentou que os primeiros cristãos não deixaram a transmissão da Fé ao acaso ou à adaptação fluida, mas sim utilizaram técnicas rigorosas de memorização, consistentes com a tradição judaica na qual os Apóstolos foram formados. Ele postulou que um colégio formado pelos Doze Discípulos atuou como uma autoridade central para controlar e preservar cuidadosamente a tradição, garantindo que os ensinamentos e rituais fossem transmitidos com exatidão formal

Embora suas teorias tenham sido rejeitadas por décadas por aqueles que favoreciam uma visão mais evolucionista das origens cristãs, Gerhardsson agora é amplamente visto como um pioneiro da pesquisa em tradições orais do Evangelho. Essa mudança acadêmica sugere que, se São Pedro e os Apóstolos empregaram um controle tão rigoroso sobre o Sagrado Depósito, a formação de uma liturgia latina hierática e estável na capital romana não teria sido um desenvolvimento aleatório, mas um ato deliberado e cuidadosamente guardado de governança apostólica, projetado para ser memorizado e preservado pelos fiéis desde o início.

A ligação arquitetônica entre o Cânon Romano e as tradições litúrgicas do Oriente fornece evidências de uma autoria singular, petrina. Monsenhor Louis Duchesne, o eminente historiador da Igreja primitiva, observou semelhanças estruturais e temáticas impressionantes entre o Rito Romano e a Anáfora da Liturgia de Antioquia. Essa conexão é de suma importância quando se considera quando a Antioquia foi a cidade onde São Pedro reinou como Bispo (Primeiro Papa), antes de estabelecer a Sé Romana.

Duchesne apontou para a colocação compartilhada de intercessões específicas e o apelo sóbrio e rítmico pela aceitação do Sacrifício como evidência de uma raiz apostólica comum. Ao traçar esses paralelos, descobre-se que o Cânon Romano não é uma invenção ocidental isolada, mas a expressão romana de um modelo petrino já estabelecido em Antioquia. Isso sugere que Pedro chegou à capital com uma estrutura litúrgica madura, que ele posteriormente revestiu com o latim hierático de Roma para criar um monumento sacrificial permanente para a Igreja Ocidental

Sugerir que São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, teria chegado a Roma, a capital de um império de língua latina, e não teria providenciado uma liturgia no idioma dessa civilização é tratá-lo como um simplório. Pelo contrário, Pedro foi capacitado pelo Espírito Santo no Pentecostes com o dom de línguas, uma graça especificamente destinada à conversão das nações. É muito mais consistente com as evidências teológicas e históricas concluir que Pedro, possuindo a sabedoria para estabelecer um fundamento permanente e hierático para o Ocidente, entregou uma liturgia em latim à Igreja Romana desde o início

O "especialista" moderno que zomba do uso do latim como uma "barreira" para a compreensão está, na verdade, zombando da própria lógica arquitetônica do Rito Romano, que usa a linguagem como um véu sagrado em vez de uma ferramenta para proferir uma palestra. Quando sugerem que o Cânon Romano é uma mera reflexão tardia "vernácula", confessam uma cegueira total para a adequação divina e a beleza composicional de elite do Rito, uma grandeza que esses ideólogos, apesar de toda a sua postura acadêmica, são evidentemente muito pouco instruídos para sequer perceber, quanto mais apreciar.

Fonte do Texto Via Página Ecclesiasticus Cor Iesu Sacratissimum (Ecclesiasticu).: https:\\www.facebook.com\efreniz.lazaro

18 janeiro 2026

A MISSA DE HOJE É A MESMA DOS PRIMEIROS SÉCULOS!

(Quadro da Santa Ceia por Leonardo da Vinci 1498)

A Missa de hoje é a mesma da dos primeiros séculos da Igreja, nada mudou, a estrutura é essencialmente a mesma.
A descrição da Missa feita por São Justino, o Mártir, por volta do ano 155 d.C. em sua Primeira Apologia, é um dos documentos mais fascinantes da história do cristianismo. Ela prova que a estrutura fundamental da Eucaristia permanece praticamente a mesma há quase dois milênios.
​São Justino escreveu esse relato para explicar ao imperador romano Antonino Pio o que os cristãos realmente faziam em suas reuniões, combatendo calúnias de que praticariam rituais imorais.
​Aqui está a estrutura detalhada por ele:

​1. Liturgia da Palavra:
​A celebração começava com a reunião da comunidade no dia que Justino chama de "dia do Sol" (domingo).
​Leituras: Liam-se as "Memórias dos Apóstolos" (os Evangelhos) ou os escritos dos Profetas, tanto quanto o tempo permitia.
​Homilia: O "presidente" da assembleia fazia uma exortação oral, incentivando todos a imitarem os belos ensinamentos que tinham acabado de ouvir.
​Orações Comuns: Todos se levantavam e dirigiam orações a Deus por si mesmos, pelos recém-batizados e por todas as pessoas do mundo.

​2. Liturgia Eucarística:
​Após as orações, iniciava-se o rito do sacrifício, com elementos que reconhecemos até hoje:
​O Beijo da Paz: Os fiéis saudavam-se uns aos outros com um beijo, sinal de reconciliação e unidade.
​Apresentação das Oferendas: Levava-se ao presidente pão, vinho e água.
​A Grande Oração (Anáfora): O presidente tomava os dons e elevava louvores e glória ao Pai, pelo nome do Filho e do Espírito Santo. Ele proferia uma longa "Eucaristia" (ação de graças) por Deus tê-los feito dignos desses dons.
​Amém: Ao final da oração, todo o povo presente aclamava dizendo "Amém", que significa "Assim seja".

​3. A Comunhão e a Caridade:
​Distribuição: Os diáconos distribuíam o pão e o vinho "eucaristizados" a todos os presentes.
​Reserva Eucarística: O que sobrava era levado pelos diáconos aos que estavam ausentes (doentes ou presos).
​Coleta para os Necessitados: Aqueles que tinham posses e queriam doar, entregavam suas contribuições ao presidente. Justino destaca que esse fundo servia para ajudar órfãos, viúvas, doentes e estrangeiros.
​A Teologia da "Transubstanciação" em Justino
​É importante notar que Justino já defendia a Presença Real de Cristo. Ele escreve explicitamente:
​"Pois não tomamos estas coisas como pão comum ou bebida comum... aprendemos que aquele alimento sobre o qual se disse a ação de graças... é a carne e o sangue daquele Jesus que se encarnou."
(A Missa Tridentina de 1570, Antes do Concílio Vaticano II)

Para aprofundarmos no contexto de São Justino, é preciso entender que ele não era um bispo ou padre de carreira desde a juventude, mas sim um filósofo. Ele usava a "palium" (a capa dos filósofos gregos) mesmo depois de se converter ao cristianismo.
​Aqui estão os pontos fundamentais sobre o contexto histórico e a teologia por trás da Missa que ele descreveu:

​1. O Contexto Histórico: Uma Igreja "Ilegal"
​No ano 155 d.C., o cristianismo era uma religião ilícita no Império Romano. Os cristãos eram alvos de três acusações principais que Justino tentava derrubar:
​Ateísmo: Porque não adoravam os deuses romanos nem tinham estátuas.
​Canibalismo: Boatos surgiam porque os pagãos ouviam que os cristãos "comiam o corpo e bebiam o sangue" de alguém.
​Imoralidade: As reuniões eram fechadas e chamadas de "Ágape" (banquete do amor), o que gerava fofocas sobre orgias.
​Ao descrever a Missa detalhadamente ao imperador, Justino estava fazendo uma defesa política: ele queria mostrar que o culto cristão era, na verdade, racional, moral e focado na caridade.

2. A Teologia do "Logos" (A Razão)
​Justino é o pai da teologia do Logos Spermatikos (Sementes do Verbo).
​A Ponte com a Filosofia: Ele acreditava que toda a verdade dita pelos filósofos gregos (como Platão e Sócrates) vinha de Cristo, o "Logos" (Palavra/Razão).
​Culto Racional: Para ele, a Missa não era um ritual mágico irracional, mas o "culto lógico" onde a Palavra de Deus se tornava presente. Por isso, a leitura das Escrituras e a pregação eram tão centrais.

​3. Por que o Domingo? Inculturação Litúrgica da Fé.
​Justino explica ao imperador o porquê da escolha do dia, unindo simbolismo bíblico e astronômico:
​Criação: Foi o primeiro dia em que Deus transformou as trevas e a matéria para criar o mundo.
​Ressurreição: Foi o dia em que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos.
​Contraste Pagão: Ao chamar de "Dia do Sol", ele facilitava a compreensão dos romanos, mas subvertia o significado: o verdadeiro Sol é Cristo.

​4. O Mistério da "Eucaristização"
​Um ponto teológico crucial no texto de Justino é como o pão se torna o Corpo de Cristo. Ele usa o termo grego Eucharistia.
​Pela Oração: Ele explica que a mudança não ocorre por um poder humano, mas pela "oração da palavra que dele (Cristo) procede".
​Encarnação Contínua: Para Justino, assim como o Logos se fez carne em Maria, o Logos se faz "carne e sangue" no pão e no vinho para nutrir a Igreja. Isso combatia a ideia de que a Eucaristia era apenas um símbolo ou uma lembrança vaga.

​5. A Dimensão Social (Justiça)
​Diferente dos sacrifícios romanos, onde os animais eram queimados para os deuses, o "sacrifício" cristão descrito por Justino terminava em assistência social.
​O fato de os diáconos levarem a comunhão aos doentes e de haver uma coleta obrigatória para órfãos e viúvas mostra que, para a Igreja primitiva, a Eucaristia e a Caridade eram inseparáveis. Não se podia comungar o Corpo de Cristo no altar e ignorar o Corpo de Cristo nos pobres.
(A Santa Missa depois do Concílio Vaticano II 1962-1965)

​Curiosidade: O Martírio de Justino
​Anos depois de escrever essa apologia, Justino foi levado a julgamento. O prefeito rústico perguntou-lhe: "Onde os cristãos se reúnem?". Justino respondeu que Deus não está confinado a um lugar. Quando instado a sacrificar aos deuses, ele disse: "Ninguém de bom senso passa da piedade para a impiedade". Ele foi decapitado em 165 d.C., selando com sangue o que escreveu com a pena.

Aqui está a tradução de um dos trechos mais famosos e importantes da Primeira Apologia de São Justino (Capítulos 65-67). Este texto é considerado "o tesouro da liturgia", pois é o registro mais antigo e detalhado de como os cristãos celebravam a Eucaristia logo após a era dos Apóstolos.
​O Texto Original: A Celebração do Domingo:

​"No dia que se chama do Sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se leem as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas, tanto quanto o tempo permite.
​Quando o leitor termina, o presidente faz uma alocução, exortando-nos à imitação de tão belos ensinamentos. Depois, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas orações."

​Sobre a Eucaristia (A Presença Real)
​Nesta parte, Justino deixa claro que os cristãos não viam o pão como algo comum:
​"Terminadas as orações, damos o ósculo da paz. Em seguida, leva-se ao presidente dos irmãos pão e um cálice de vinho misturado com água. O presidente os recebe e eleva louvor e glória ao Pai do universo, pelo nome do Filho e do Espírito Santo...
​Este alimento chama-se entre nós Eucaristia. [...] Pois não os recebemos como pão comum ou bebida comum; mas da mesma forma que Jesus Cristo, nosso Salvador, se fez carne pela Palavra de Deus... assim também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças... é a própria carne e o sangue daquele Jesus que se encarnou."
​Observações Importantes do Texto:
(O Sacerdote é o Persona Chrysti)
​1. O Vinho com Água
​Justino menciona o "vinho misturado com água". Na época, era um costume cultural suavizar o vinho, mas a Igreja deu a isso um sentido teológico: a união da humanidade (água) com a divindade de Cristo (vinho).

​2. O Papel do "Presidente"
​Note que ele usa o termo "Presidente" (Proestós em grego). Ele faz isso porque está escrevendo para um imperador pagão e quer usar termos que soem como uma organização respeitável, embora na prática estivesse se referindo ao Bispo ou Presbítero.

​3. As "Memórias dos Apóstolos"
​Este é um detalhe histórico valioso. No ano 155, o Novo Testamento ainda estava sendo "formado". Quando Justino diz que se liam as "memórias", ele confirma que os Evangelhos já eram lidos com o mesmo status de autoridade que os Profetas do Antigo Testamento.
​O que aconteceu com São Justino?
​Como mencionei, Justino levou sua filosofia até as últimas consequências. No seu julgamento, o diálogo final com o prefeito romano Rústico foi registrado:
​Rústico: "Tu és cristão?"
​Justino: "Sim, sou cristão."
​Rústico: "Se fores açoitado e decapitado, acreditas que subirás ao céu?"
​Justino: "Não é que eu acredite, eu tenho certeza absoluta."
​Ele foi executado logo em seguida, demonstrando que, para ele, a Missa que descreveu não era apenas um rito, mas a fonte de sua força para morrer.

Para entender a evolução da Missa, é fascinante comparar São Justino (que vivia em Roma, ano 155) com Santo Inácio de Antioquia (que escreveu por volta do ano 107-110).
​Enquanto Justino detalha a ordem do rito, Inácio foca na autoridade e unidade em torno da Eucaristia. Juntos, eles formam a base do que hoje chamamos de Igreja Católica e Ortodoxa.

A Evolução da Estrutura:
​Santo Inácio reforça que a Eucaristia é o que mantém os cristãos unidos contra as heresias. Ele dizia que os hereges "não confessam que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo". Já Justino, algumas décadas depois, mostra que essa crença já estava organizada em uma liturgia fixa.
​Por que essas fontes são cruciais hoje?

​A Sucessão Apostólica: Eles provam que, desde o início, a Igreja não era um grupo desorganizado, mas tinha líderes claros (bispos e diáconos).
​O Realismo Sacramental: Ambos tratam o pão e o vinho como o corpo e sangue de Cristo de forma literal, não apenas simbólica.
​A Centralidade do Domingo: Confirmam que o sábado foi substituído pelo domingo logo na primeira geração de cristãos.

​O Caminho do Martírio:
​O que une esses dois homens, além da teologia, é o fim de suas vidas.
​Inácio foi devorado por leões em Roma, desejando ser "trigo de Deus, moído pelos dentes das feras para se tornar pão puro de Cristo".
​Justino foi decapitado em Roma, defendendo que a "filosofia cristã" era a única verdade plena.
​Curiosamente, a Igreja mantém os nomes de ambos (e de outros mártires dessa época) no Cânon Romano (Oração Eucarística I), que é rezado até hoje nas missas.

É impressionante como a linguagem utilizada por esses primeiros cristãos não apenas sobreviveu, mas continua sendo a "espinha dorsal" da liturgia atual. Quando você vai a uma Missa hoje, está ouvindo ecos diretos do que Justino e Inácio escreveram há quase 1.900 anos.
​Aqui estão os pontos exatos onde a influência deles aparece:

​1. O Diálogo Inicial da Oração Eucarística
​Justino menciona que o presidente "eleva louvor e glória ao Pai". Na Missa atual, o diálogo:
​Sacerdote: "Corações ao alto."
​Assembleia: "O nosso coração está em Deus."
​Sacerdote: "Demos graças ao Senhor, nosso Deus."
​Assembleia: "É nosso dever e nossa salvação."
​Este trecho é o cumprimento exato da "Eucaristia" (Ação de Graças) que Justino descreveu como o momento em que o presidente louva a Deus por ter feito o povo digno daqueles dons.

​2. O Amém da Assembleia
​Justino deu uma importância enorme ao "Amém" do povo. Ele explicava aos pagãos que o povo confirmava toda a oração do presidente com essa aclamação.
​Hoje: O momento mais solene da Missa (a Doxologia Final: "Por Cristo, com Cristo e em Cristo...") termina com o Grande Amém, que é a ratificação de tudo o que foi realizado no altar.

​3. A Mistura do Vinho com a Água
​Justino mencionou o "cálice de vinho misturado com água".
​Hoje: O padre ou diácono coloca uma gota de água no vinho e reza silenciosamente: "Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade de Aquele que se dignou assumir a nossa humanidade". É a teologia da Encarnação que Justino tanto defendia.

​4. O Cânon Romano (Oração Eucarística I)
​Esta oração é a mais antiga em uso na Igreja Romana. Ela cita nominalmente os sucessores dos apóstolos e os mártires daquela época. Embora o nome de Justino e Inácio não apareçam em todas as orações eucarísticas, a Estrutura de Invocação (Epiclese) que eles defendiam — de que o Espírito Santo ou o Logos santifica o pão — permanece central.

​5. A Oração pelos Fiéis
​Justino relata que, após as leituras, eles se levantavam e faziam orações por todos os homens.
​Hoje: Após a homilia, temos a Oração da Assembleia (ou Preces), onde pedimos pela Igreja, pelos governantes (exatamente como Justino fazia pelo Imperador) e pelos necessitados.

​6. O "Remédio da Imortalidade"
​A frase de Santo Inácio de Antioquia, chamando a Eucaristia de "Pharmakon athanasias" (Remédio da imortalidade), é citada até hoje no Catecismo da Igreja Católica (§1331) e frequentemente usada em homilias para explicar que a comunhão não é um prêmio para os perfeitos, mas um auxílio para a nossa fraqueza.
​Por que isso é importante?
​Para um historiador ou um fiel, isso demonstra a continuidade. Muitas pessoas acreditam que a Missa foi uma "invenção" medieval, mas os escritos de Justino e Inácio provam que o núcleo — Palavra, Eucaristia, Presença Real e Caridade — já estava lá desde o início, nas casas-igrejas do século II.

A transição da Igreja das catacumbas para as grandes basílicas, após o Édito de Milão (313 d.C.) e o reinado de Constantino, mudou profundamente a "roupagem" da Missa, embora o "esqueleto" descrito por São Justino tenha permanecido intacto.
​Aqui estão as principais mudanças que ocorreram quando o cristianismo deixou de ser perseguido:

​1. Do Espaço Doméstico para a Basílica
​Antes de Constantino, os cristãos se reuniam em Domus Ecclesiae (Casas-Igreja). Eram ambientes íntimos e simples.
​Após Constantino: O imperador doou palácios e construiu basílicas (como a de São João de Latrão).
​Consequência: A liturgia tornou-se pública e solene. O "Presidente" de Justino agora sentava-se em uma cátedra (trono) e o altar, antes uma mesa de madeira, passou a ser de mármore e adornado.

​2. A Entrada da Pompa Imperial
​Muitos elementos que associamos hoje à liturgia solene vieram do protocolo da corte romana:
​Incenso e Velas: Na corte, eram usados para honrar o imperador quando ele entrava. A Igreja adotou isso para honrar o Evangelho e o Altar (o "Trono de Cristo").
​Vestimentas: Os ministros começaram a usar vestes distintas (a origem das casulas e alvas), baseadas na moda da aristocracia romana da época.

​3. O Desenvolvimento do Calendário e dos Ritos
​Com a paz, a Igreja pôde "expandir" o tempo litúrgico.
​As Festas: Surgiram ciclos mais definidos para o Natal e a Páscoa.
​Cânticos: O que era uma recitação simples começou a se transformar em cantos corais mais complexos.
​Idiomas: No Ocidente, a Missa passou gradualmente do grego (língua de Justino) para o latim, que era a língua oficial do povo e da administração romana.

​4. A Teologia se torna Defensiva
​Se no tempo de Justino o foco era explicar a Missa para quem estava fora (pagãos), no século IV o foco mudou para combater heresias internas (como o Arianismo).
​O Credo: Foi nesta época (Concílios de Niceia e Constantinopla) que o Credo foi formalizado e introduzido na Missa, para que todos professassem a mesma fé correta antes da Eucaristia.

​O que permaneceu igual?
​Apesar de todo o ouro, mármore e incenso das basílicas imperiais, o roteiro era rigorosamente o de São Justino:
​Leituras (Liturgia da Palavra)
​Homilia
​Ofertório (Pão e Vinho)
​Oração Eucarística (Consagração)
​Amém e Comunhão
​Uma Curiosidade: O "Segredo" que acabou
​No tempo de Justino, havia a "Disciplina do Arcano": os não batizados eram expulsos após a homilia e não podiam ver a consagração (para evitar profanações). Com a oficialização, essa prática de "segredo" foi desaparecendo aos poucos, e a Missa tornou-se o evento público mais importante da sociedade.

Essa é uma das partes mais interessantes da história da Igreja, pois houve um paradoxo: a Missa ficou mais grandiosa, mas o povo acabou ficando mais distante.
​Essa mudança de participação pode ser resumida em três pontos principais:

​1. Do "Banquete" para o "Espetáculo Sagrado"
​Na época de São Justino, a Missa acontecia em uma sala (cenáculo). Todos viam tudo e o presidente estava muito próximo da comunidade.
​Após Constantino: Com as enormes basílicas, a distância física aumentou. O altar foi colocado na abside (o fundo semicircular da igreja) e, muitas vezes, separado do povo por uma grade ou cortina chamada iconostase (no Oriente) ou cancelli (no Ocidente).
​O Efeito: O fiel deixou de se sentir um "participante direto" para se tornar um "espectador" de um mistério sagrado e terrível.

​2. A Mudança na Comunhão
​Curiosamente, quanto mais a Igreja crescia e ficava poderosa, menos as pessoas comungavam.
​Século II (Justino): Todos os presentes comungavam. Era a marca da identidade cristã.
​Século IV em diante: Surgiu um senso de "indignidade". As pessoas começaram a ter tanto medo da santidade da Eucaristia que passavam anos sem comungar, apenas assistindo ao rito.
​O gesto: Antes, recebia-se o pão na mão (como Justino descreve). Com o tempo, para evitar qualquer desrespeito ou queda de fragmentos, passou-se a distribuir a comunhão diretamente na boca e, eventualmente, de joelhos.

​3. O Surgimento do "Clericalismo" Litúrgico
​Com a oficialização, os bispos e padres ganharam status de magistrados romanos.
​Linguagem: Enquanto o latim era a língua do povo no século IV, com o passar dos séculos, o povo passou a falar línguas românicas (português, francês, etc.), mas a Missa continuou em latim.
​O Silêncio: A Oração Eucarística, que Justino descrevia como uma ação de graças ouvida por todos, passou a ser rezada em voz baixa (secreta) pelo padre. O povo já não respondia o "Amém" com a mesma força, pois muitas vezes não entendia o que estava sendo dito.
​O Legado dessa Mudança
​Muitas das reformas litúrgicas do século XX (Concílio Vaticano II) tentaram justamente voltar ao modelo de São Justino: trazer o altar para perto do povo, usar a língua local e incentivar que todos participem ativamente das respostas e da comunhão.
O Concílio Vaticano II (1962-1965) promoveu uma reforma litúrgica que foi, essencialmente, um mergulho nas fontes da Igreja Primitiva. Os teólogos e bispos da época utilizaram o relato de São Justino como o "padrão ouro" para simplificar a Missa e devolver a ela o sentido de assembleia.
​Aqui estão os resgates mais importantes:
​1. O Altar e a Proximidade
​O que mudou: Antes do Concílio, o padre celebrava de costas para o povo (ad orientem), em altares encostados na parede, herança das grandes basílicas.
​O resgate de Justino: O altar voltou a ser uma mesa central (frequentemente de madeira ou pedra simples), com o padre voltado para a assembleia (versus populum), recriando a atmosfera de "reunião de irmãos" que Justino descreveu.

​2. A Liturgia da Palavra e a Língua Vernácula
​O que mudou: A Missa deixou de ser celebrada exclusivamente em latim.
​O resgate de Justino: Justino dizia que as leituras eram feitas "tanto quanto o tempo permitia" para que todos entendessem. Ao adotar a língua local (português, por exemplo), o Vaticano II permitiu que a Palavra de Deus voltasse a ser alimento direto para o povo, e não apenas um rito misterioso em uma língua morta.

​3. A Oração dos Fiéis (Preces)
​Esta parte da Missa havia praticamente desaparecido da celebração comum, ficando restrita apenas à Sexta-Feira Santa.
​O resgate de Justino: O Concílio restaurou a "Oração Universal" logo após a homilia. É exatamente o que Justino descrevia: "levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas orações por nós mesmos e por todos os outros em todo o lugar".

​4. O Ofertório e a Procissão dos Dons
​O que mudou: O ofertório tornou-se mais visível. Em muitas paróquias, membros da assembleia levam o pão e o vinho até o altar.
​O resgate de Justino: Isso reflete o texto de 155 d.C.: "leva-se ao presidente dos irmãos pão e um cálice de vinho". Além disso, a coleta de dinheiro para os pobres foi mantida como um gesto de caridade ligado ao sacrifício, conforme Justino enfatizava.
​5. A Participação Ativa (O Amém)
​O Concílio insistiu que os fiéis não deveriam estar na Missa como "espectadores mudos".
​O resgate de Justino: Pediu-se que as aclamações (Santo, Amém, Cordeiro de Deus) fossem cantadas ou ditas por todos, devolvendo ao povo o papel de ratificar a oração do presidente, como o "Grande Amém" que Justino tanto destacava.
​Comparativo Final: A "Volta às Origens"
Essa "revolução" litúrgica foi, na verdade, uma restauração. O objetivo era que o cristão do século XX pudesse reconhecer na sua paróquia a mesma essência daquela pequena comunidade que se reunia em Roma no século II.
(A Introdução do Missal Romano a Partir de 1963 Por Papa  Paulo VI)

Embora tanto o Ocidente (Igreja Católica Romana) quanto o Oriente (Igrejas Ortodoxas e Católicas de Rito Oriental) tenham como base o relato de São Justino, eles desenvolveram estilos muito diferentes de expressar a mesma fé.
​A principal diferença é que, enquanto o Ocidente (especialmente após o Vaticano II) buscou a nobre simplicidade, o Oriente preservou e expandiu a pompa e o mistério do período bizantino.

​1. O Espaço Sagrado: Visibilidade vs. Mistério
​Ocidente: O altar é visível e próximo. O objetivo é que o fiel veja e ouça claramente o que o padre está fazendo (como nas casas-igrejas de Justino).
​Oriente: Existe o Iconostásio, uma parede coberta de ícones que separa o altar (o "Santo dos Santos") da assembleia. Grande parte da Oração Eucarística é feita de forma secreta pelo padre atrás das portas fechadas.

​2. O Pão e o Vinho
​Ocidente: Usa-se pão ázimo (sem fermento), seguindo a tradição da Páscoa judaica, e geralmente em formato de pequenas hóstias.
​Oriente: Usa-se pão fermentado (Prosphora). O fermento simboliza a Ressurreição e a vida de Cristo. O pão é cortado em cubos e colocado dentro do cálice com o vinho; a comunhão é dada com uma colher.

​3. A Mistura com Água (O Rito do Calor)
​Justino mencionou a mistura de vinho e água.
​Ocidente: Ocorre no Ofertório, com uma gota de água fria.
​Oriente: No rito bizantino, além da água no ofertório, adiciona-se água fervendo (Zeon) ao cálice pouco antes da comunhão, para simbolizar que o Sangue de Cristo é "fervente" e vivo.

​4. O Papel do Corpo e dos Sentidos
​Ocidente: A liturgia é mais cerebral e linear. O povo responde, senta, levanta e ouve.
​Oriente: A liturgia é uma experiência sensorial total. O uso de incenso é constante, as orações são quase todas cantadas e os fiéis fazem frequentes metanias (inclinações) e o sinal da cruz.
​O que os une? (O "DNA" de Justino)
​Apesar das diferenças visuais, se São Justino pudesse visitar as duas celebrações hoje, ele reconheceria em ambas:
​A Liturgia do Logos: As leituras bíblicas no início.
​A Anáfora: A grande oração de ação de graças que transforma os dons.
(Introdução do Lecionário Dominical em 1963 por Papa Paulo VI)

​A Eucaristia como Alimento: A distribuição real da comunhão como centro da reunião.
​Qual dessas tradições você acha que mais se aproxima da "sensação" de uma reunião primitiva?
​Alguns argumentam que a simplicidade da Missa moderna lembra a casa de Justino, enquanto outros dizem que o fervor e o misticismo do Oriente preservam melhor o "temor e tremor" que os mártires sentiam diante do mistério.

14 janeiro 2026

A HISTÓRIA DA SANTA MISSA ATRAVÉS DOS SÉCULOS!

A História da Missa Memória viva Através dos Séculos
 
A Celebração Eucarística, comumente conhecida por Missa, foi instituída por Cristo na noite de Quinta-feira Santa, antes de morrer. Pegando no pão e no vinho, deu graças, abençoou-os e distribuiu-os aos discípulos, dizendo: «Tomai: isto é o meu Corpo. (...) Isto é o meu sangue» (Mc 14, 22.24). No fim, pediu-lhes que repetissem esse gesto em Sua memória.
Assim fizeram os discípulos de Jesus, os primeiros cristãos, e sempre sucessivamente, até chegar aos nossos dias. No entanto, o ritual da Missa passou por algumas alterações até estar como hoje o conhecemos. Desde os primórdios que se manteve praticamente a mesma estrutura, que divide a celebração em dois momentos essenciais: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística.
Na primeira parte, dá-se especial atenção aos textos bíblicos. Nos primeiros séculos, liam-se as Cartas dos Apóstolos às diversas comunidades e mais tarde os Evangelhos. Aquele que presidia à celebração fazia, em seguida, uma pequena meditação sobre o que tinha acabado de ser lido e partilhava-a com todos os presentes. No fim, todos juntos rezavam o que nós hoje chamamos Oração dos Fiéis, por toda a Igreja. A segunda parte da celebração dedicava-se à consagração do pão e do vinho e à comunhão.
A Didaqué, um escrito catequético do século i, apresenta as fórmulas que então eram usadas para a consagração na Eucaristia. Sobre o cálice deveria dizer-se: «Nós Te bendizemos, nosso Pai, pela santa vinha de David, teu servo, que Tu nos revelaste por Jesus, Teu servo; a Ti, a glória pelos séculos»; e sobre o pão: «Nós Te bendizemos, nosso Pai, pela vida e pelo conhecimento que nos revelaste por Jesus, Teu servo; a Ti, a glória pelos séculos. Da mesma forma como este pão partido foi inicialmente semeado sobre as colinas e depois recolhido tornou-se um, assim das extremidades da terra seja unida a Ti Tua Igreja em Teu reino; pois Tua é a glória e o poder por Jesus Cristo pelos séculos! »
Durante os primeiros séculos, a celebração da Missa era bastante simples e evitava tudo o que pudesse desviar a atenção do mistério central. A partir do segundo milénio, no entanto, começaram a surgir algumas alterações. Introduziram-se os sacrários, que passaram a ganhar tanta ou mais importância do que a mesa do sacrifício - o altar. O pão e o vinho tornaram-se os elementos centrais de toda a celebração e a leitura da Palavra passou para um plano secundário.
Anos mais tarde, a Igreja decidiu que a Missa deveria ter um ritual uniformizado e passou a ser celebrada em latim. Para além disso, o sacerdote passou a estar virado de costas para a assembleia, pois o altar encontrava-se encostado à parede. Os fiéis participavam muito pouco na celebração e geralmente limitavam-se a esperar pelo momento da comunhão (quando esta era possível) ou pela Adoração do Santíssimo Sacramento, não participando na liturgia da palavra.
O próprio ritual da celebração também se foi complicando e no período barroco chegou a tornar-se quase como que um espetáculo. Grandes ornamentos nas igrejas, o uso excessivo de incenso e coros e organistas que davam autênticos concertos foram algumas das inovações desta época. Como consequência, isto afastou ainda mais os fiéis do essencial da celebração.
A partir de certa altura, em finais do século XIX e inícios do século XX, começou a perceber-se que o ritual que então se celebrava se tinha afastado bastante do original dos primeiros séculos. A Igreja começou a sentir necessidade de voltar às origens. Por este motivo, entre muitos outros, o Papa João XXIII resolveu convocar os bispos de todo o mundo para uma grande reunião com vista a reformar alguns aspectos da Igreja, entre os quais a celebração da Eucaristia. No dia 11 de Outubro de 1962 começaram oficialmente os trabalhos daquele que ficaria conhecido como Concílio Vaticano II, um dos mais importantes concílios da história da Igreja.
Do Vaticano II saíram importantes reformas para a vida da Igreja, muitas delas dirigidas à forma como até então se celebrava a Missa. Procurando regressar ao essencial, enfatizou-se a presença real de Cristo no pão e no vinho e deu-se nova importância à liturgia da palavra. Para isso, o altar passou a tomar um lugar central, sendo colocado diante de todos. A Missa passou a ser celebrada na própria língua e o ambão (de onde se fazem as leituras) tomou um lugar de destaque, de modo a que toda a assembleia participasse na celebração. A liturgia da palavra e a liturgia eucarística voltam, então, a unir-se, formando duas partes essenciais do ritual que não podem ser separadas. A Missa tornou-se algo mais comunitário, em que os fiéis participam como convidados da Ceia do Senhor e onde também podem desempenhar diferentes ministérios: leitores, cantores, acólitos, etc.
Atualmente celebra-se a Missa de acordo com as reformas instituídas pelo Concílio Vaticano II. No entanto, o Papa Bento XVI recentemente permitiu que fossem celebradas também Missas tri dentinas, isto é, Missas em latim, de acordo com o missal publicado no século XVI por S. Pio V, renovado em 1962 pelo Papa João XXIII. Diz o Papa que este missal nunca chegou a ser proibido e que, apesar de ser possível usá-lo e celebrar em latim a Eucaristia, a forma normal continuará a ser aquela que saiu do Vaticano II, que é a mais usada hoje em dia.
O Papa Bento XVI salienta, contudo, que, apesar de todas estas transformações na liturgia da Missa, não existe qualquer ruptura com o passado. «Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de repente totalmente proibido ou mesmo considerado prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar», diz o Papa na Carta aos Bispos a propósito da publicação do motu proprio Summorum Pontificum, sobre a liturgia latina.
Apesar de todas as mudanças e reformas ao longo dos séculos, a base da Missa permaneceu sempre a mesma. A estrutura pode ter mudado ligeiramente, mas o mistério manteve-se e continua a alimentar a vida da Igreja.
 
Escrito por José Luís a 18 dezembro 2008. Colocado em Catequese

Fonte: Pesquisa Google. Texto e Créditos na Imagem Via Página Virtudes do Cavalheiro de Cristo.: https://www.facebook.com/virtudesdocavalheirodecristo 

04 janeiro 2026

A IMPORTÂNCIA DA SANTA MISSA PARA OS CATÓLICOS! AS MARAVILHAS DA SANTA MISSA!

🙏😊A importância da Santa Missa para os católicos
AS MARAVILHAS DA SANTA MISSA..
Como é possível sermos cristãos, sem sabermos o significado da Missa? A Missa é o ato central de nossa fé, e todos precisamos conhecer o valor e o significado mais profundo dela. Infelizmente, muitos são os católicos que não têm consciência da importância da Missa... Alguns vão à igreja aos domingos "e nem sempre", apenas por costume ou obrigação, e outros já deixaram de frequentá-la há tempos, pois veem a Missa como um rito repetitivo, monótono e sem sentido...

Na verdade, desconhecem seu altíssimo valor sobrenatural. Por isso, hoje em dia, apenas uma pequena minoria dos católicos cumprem o preceito dominical.

A Missa tem um valor infinito, pois quem Se oferece em sacrifício e Se imola na hóstia sagrada é o próprio Jesus Cristo.

Em nossas orações particulares, nós nos dirigimos a Deus por intermédio dos santos, de Nossa Senhora e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na Missa, é o próprio Jesus Cristo que Se oferece ao Pai. Ali Ele é o Sumo e Eterno Sacerdote que, sem derramamento de sangue, renova o oferecimento da Cruz. Jesus é o Ministro que aplica a nós os méritos de Seu Sacrifício.

A primeira Missa celebrada no mundo foi na Quinta-Feira Santa, na Ceia de Jesus com os Apóstolos. Nessa ocasião foi instituída a Eucaristia e Jesus demonstrou mais uma vez o Seu infinito amor pelos homens, ao partilhar conosco Seu Corpo e Sangue.

O que pode haver de mais elevado e eficaz do que a oração do próprio Jesus Cristo?

Deus o abençoe!

Texto e Créditos na Imagem Via Página Oração Diária.: https://www.facebook.com/oracaodiariaoficial

08 novembro 2025

A MISSA EXPLICADA POR PADRE PIO

Padre Pio explicou as Etapas da Santa Missa:


Do sinal da cruz inicial até o ofertório é preciso encontrar Jesus
no Getsêmani, é preciso segui-Lo na Sua agonia, sofrimento diante desse
"mar de lama" do pecado. É preciso unir-se a Jesus em Sua dor
de ver que a Palavra do Pai, que Ele veio nos trazer, não é recebido pelos
homens, nem bem nem mal.


A partir dessa visão, é preciso ouvir as leituras da Missa como sendo
dirigidas a nós, pessoalmente.


O Ofertório:



É a prisão, chegou a hora...


O Prefácio: É o canto de louvor e de agradecimento que Jesus dirige
ao Pai, e que Lhe permitiu, enfim, chegar a esta "hora".


Desde o início da oração Eucarística até a Consagração, nós nos unimos
a Jesus em Seu aprisionamento, em Sua atroz flagelação, na Sua coroação
de espinhos e Seu caminhar com a cruz nas costas, pelas ruelas de
Jerusalém e, no "Momento", olhando todos os presentes e aqueles pelos
quais rezamos especialmente.


A consagração nos dá o Corpo entregue agora, o Sangue derramado
agora. Misticamente, é a própria crucifixão do Senhor. E é por isso
que Padre Pio Sofria atrozmente neste momento da Missa.


Nós nos uníamos em seguida a Jesus na cruz, oferecendo ao Pai,
desde esse instante, o Sacrifício Redentor. Esse é o sentido da oração
litúrgica, que segue imediatamente à consagração.


"Por Cristo com Cristo e em Cristo" corresponde ao grito de Jesus:
"Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu Espírito!".


Desde então, o sacrifício é consumado por Cristo e aceito pelo Pai.


Daqui por diante, os homens não estão mais separados de Deus e se
encontram de novo unidos. É a razão pela qual, nesse instante, recita-se a
oração de todos os filhos:

"Pai Nosso...".


A fração da hóstia indica a Morte de Jesus.

A Intinção, instante em que o padre, tendo partido a hóstia – símbolo da
morte, deixa cair uma parcela do Corpo de Cristo no cálice do Precioso Sangue. 
Esse ato marca o momento da Ressurreição, pois o Corpo e o Sangue estão de novo reunidos, e é o Cristo Vivo que vamos comungar.


"Depois de ter ouvido uma tal explicação dos lábios do próprio Jesus e
saber bem que ele vivia dolorosamente tudo aquilo, compreende-se que me
tenha pedido segui-lo neste caminho, o que eu fazia cada dia. E com que alegria!" (Padre Pio)


São Padre Pio, rogai por nós!


Créditos na Imagem Via Irmã Natália Coppens.: https://www.facebook.com/nathalia.coppens.2025

NOSSAS POSTAGENS:

CATEQUESE COM PADRE ZEZINHO SCJ.: "ATUALIZEMOS A CATEQUESE!"

ATUALIZEMOS A CATEQUESE!   Pe. Zezinho, scj  (Jesus de Nazaré, 1977, interpretado por Robert Power) S empre levei a sério a nece...