O EXORCISMO DE NICOLE AUBREY, O MILAGRE DE LAON O PODER DE CRISTO NA EUCARISTIA

O Exorcismo de Nicole Aubrey, O Milagre de Laon, O Poder de Cristo na Eucaristia
No outono de 1565, em Vervins, na França, vivia uma jovem chamada Nicole Aubrey, tinha aproximadamente dezesseis anos e era casada.
Segundo relatos antigos sobre o caso, pouco depois da festa de Todos os Santos, Nicole foi ao cemitério para rezar junto ao túmulo de seu avô, Vieilliot, que havia morrido.

Enquanto permanecia em oração diante do túmulo, teria acontecido algo que mudaria completamente sua vida. Nicole acreditou ver o próprio avô sair do túmulo. Mas, na verdade, não era. A figura teria se apresentado como seu avô falecido. A aparição, porém, não teria acontecido apenas uma vez. Segundo a tradição registrada posteriormente, a figura voltou a aparecer diversas vezes.

Nicole ficou profundamente perturbada. Seu estado físico e emocional se agravou progressivamente, depois de algumas aparições, aquilo que Nicole julgava ser o espírito de seu avô passou a ser identificado pelos religiosos (Padres) como um espírito maligno que se fazia passar pelo falecido avô.

O caso começou a atrair a atenção da população, inclusive de protestantes, num período em que a França estava profundamente marcada pelos conflitos religiosos entre católicos e calvinistas. Pois, alguns protestantes teriam questionado a eficácia dos sacramentais, da Presença Real de Nosso Senhor na Santíssima Eucaristia e dos ritos católicos e tentado intervir. 

A jovem tornou-se gravemente enferma. Sua família procurou auxílio religioso e Nicole foi levada ao sacerdote Padre Pierre de la Motte (Pe. de Motta), em Vervins. Começaram então as tentativas de exorcismo. Segundo o relato do Padre Michael Müller, o sacerdote utilizou as orações da Igreja e relíquias da Santa Cruz. Durante as cerimônias, Nicole teria apresentado manifestações violentas.

O que parecia inicialmente ser o espírito do avô começou a falar e agir de maneira que levou os sacerdotes a concluir que aquela presença não era a alma do falecido, mas um espírito maligno.
Segundo a narrativa, durante os exorcismos o espírito teria revelado que não estava sozinho.

Seriam trinta demônios no corpo da jovem: o principal identificado como Beelzebub, acompanhado, entre outros, por Cerberus, Astaroth e Legio. A contagem e os nomes variam conforme as versões do relato.

Os primeiros espíritos são expulsos:

O relato do Padre Müller conta que alguns dos espíritos foram expulsos durante as primeiras cerimônias. E alguns dos demônios teriam declarado que iriam para Genebra, cidade associada ao movimento Protestante calvinista.

O espírito principal, entretanto, teria resistido.
Ele teria afirmado que não sairia simplesmente diante de qualquer sacerdote e que seria necessário alguém de autoridade superior. A narrativa identifica esse espírito como Beelzebub.

É nesse momento que o episódio começa a assumir uma dimensão pública e também confessional, pois o exorcismo passa a ser apresentado nas fontes católicas como uma confrontação envolvendo a questão da autoridade da Igreja e da presença real de Cristo na Eucaristia. Assim, o caso foi rapidamente utilizado na controvérsia entre católicos e protestantes, sobre a autoridade e validade dos Sacramentos.

Aí houve a intervenção dos pregadores protestantes. Em determinado momento, segundo o relato do Padre Müller, alguns pregadores protestantes compareceram para observar ou contestar o exorcismo Católico.
Eles não aceitavam a interpretação católica do acontecimento. Um dos Protestantes teria iniciado suas orações, procurando demonstrar que poderia enfrentar o espírito sem recorrer ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Foi então que, segundo a narrativa, o espírito do demônio começou a zombar dele dizendo:

— “Ah! Ah! Meu bom amigo; pretende expulsar-me com suas orações e hinos?”

O espírito teria continuado: 

— “Pensa que eles me causarão alguma dor? Não sabe que eles são meus? Eu ajudei a compô-los!”

O pregador protestante teria então declarado que o expulsaria em nome de Deus.

O mal espírito respondeu:

— “Você?! Você não me expulsará nem em nome de Deus, nem em nome do demônio. Já ouviu falar de um demônio expulsando outro?”

O protestante teria respondido:

— “Eu não sou um demônio. Sou um servo de Cristo.”

E em resposta o mal espírito em seguida, teria acusado o ministro de não possuir a verdadeira fé, dizendo que ele deveria primeiro expulsar “os demônios” que estariam em seu próprio coração. Disse o mal espírito:

“Servo de Cristo, realmente?! … Eu creio, e você não quer crer. Você imagina que pode expulsar-me do corpo desta miserável criatura? Ah! Vá primeiro expulsar todos os demônios que estão em seu próprio coração!”

O pregador protestante teria então ido embora, aparentemente desconcertado. Ao sair, teria levantado os olhos e rezado:

“Ó Senhor, peço-vos, ajudai esta pobre criatura!”

O relato ainda registra uma fala atribuída ao mal espírito segundo o qual tais ministros protestantes seriam seus e o próprio mal espírito seria seu senhor. Tal espírito teria respondido:

— “E eu rogo a Lúcifer que ele jamais vos abandone, mas que vos mantenha sempre firmemente sob seu poder, como agora. Ide cuidar de vossos negócios. Todos vós sois meus, e eu sou vosso senhor.”

Na continuidade, a disputa ocorreu em torno da Santíssima Eucaristia. Ocorreu também que os protestantes teriam colocado sobre Nicole a menina possessa, uma hóstia não consagrada, portanto, segundo a teologia Católica apresentada pelo autor, apenas pão, pois não houve Consagração pelo sacerdócio constituído por Cristo, e dos protestante é constituído pela vontade do próprio homem. O texto afirma que o demônio não teria sido atormentado por esse pão não consagrado, e ainda teria ridicularizado tal tentativa. Mais tarde, diante do Santíssimo Sacramento, o relato apresenta uma reação completamente diferente: o espírito teria se contorcido e gritado.

O ponto central do relato católico passa então a ser o Santíssimo Sacramento. Segundo a narrativa, quando objetos ou orações utilizados pelos protestantes eram apresentados à jovem, não acontecia a mesma reação que ocorria diante do Santíssimo Sacramento. Quando o sacerdote apresentava a Santíssima Eucaristia, entretanto, ocorria manifestações violentas.
 
Na continuidade...

Em janeiro de 1566, o caso havia adquirido tamanha notoriedade que entrou na esfera episcopal. O bispo de Laon, Jean de Bours, passou a intervir, o bispo realizou o exorcismo diante de grande multidão. Ele teria ordenado ao espírito que deixasse o corpo de Nicole pelo poder de Deus e pela presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. A narrativa afirma que, diante da Eucaristia, o espírito reagiu violentamente. Em determinado momento, o demônio teria reconhecido que seria obrigado a ceder, ou seja, a sair do corpo de Nicole.

Uma das falas preservadas na versão do Padre Müller, foi que o mal espírito disse:

— “Sim, devo ceder a vós. É um tormento para mim ter de vos prestar esta honra.”»

Em seguida, segundo a narrativa, o bispo aproximou o Santíssimo Sacramento do rosto de Nicole e o espírito teria sido novamente expulso.
Depois de uma das expulsões, Nicole teria ficado com o braço esquerdo paralisado, o pé direito afetado e os braços apresentariam uma diferença de comprimento. Logo, afirma que nenhuma intervenção humana teria conseguido corrigir imediatamente essa condição.Também se afirma que Nicole apresentava períodos de surdez, cegueira e mudez.

Como o espírito parecia resistir, Nicole foi levada para o famoso santuário de Notre-Dame de Liesse. Ali, segundo os relatos, novos exorcismos foram realizados. Conta-se que afirma que 26 espíritos foram expulsos. O número restante teria sido reduzido a três principais:

"Astaroth, Cerberus e Beelzebub" .

A narrativa apresenta Astaroth, Cerberus e Beelzebub como os últimos e mais resistentes espíritos. O caso finalmente chegou a Laon, onde os exorcismos passaram a ocorrer publicamente. A cidade se transformou no cenário de uma verdadeira disputa religiosa.

Católicos e protestantes acompanhavam os acontecimentos. Segundo os relatos católicos, o espírito passou a proferir discursos contra os 'huguenotes', (esses eram franceses que haviam aderido à Reforma Protestante, principalmente à doutrina de João Calvino) e a fazer declarações sobre a Eucaristia.

Uma das acusações atribuídas a Beelzebub era a de que os huguenotes haviam profanado a hóstia consagrada, cortando-a, fervendo-a e queimando seus pedaços. O espírito teria afirmado que, dessa maneira, os huguenotes fariam a Cristo um mal ainda maior do que os judeus haviam feito. Esse detalhe aparece nas tradições que sobreviveram sobre o chamado Milagre de Laon e deve ser entendido dentro do ambiente de intensa controvérsia confessional da França do século XVI.

Em uma das sessões finais, o bispo teria perguntado ao espírito:

“Por que tomaste posse desta mulher honesta e virtuosa?”

A resposta atribuída ao demônio foi, segundo a narrativa, que ele teria entrado nela com a permissão de Deus e por causa dos pecados das pessoas.

(A última batalha — 8 de fevereiro de 1566)

Finalmente chegou o dia que segundo a fé católica considera o da libertação definitiva. Era 8 de fevereiro de 1566. Uma grande multidão havia se reunido. O bispo realizou o exorcismo e ordenou ao mal espírito que abandonasse definitivamente Nicole. O espírito teria respondido que sabia que precisava partir, mas que ainda não chegara o momento.

O bispo então declarou que o expulsaria pelo poder de Deus e pelo Sangue de Cristo. E o espírito teria novamente manifestado sua resistência. O bispo então tomou o Santíssima Eucaristia nas mãos. A jovem Nicole teria sido levantada no ar, e os homens que a seguravam teriam sido igualmente arrastados. Padre Müller fala em quinze homens que a mantinham presa.
Depois, ela teria caído novamente sobre a plataforma.

A multidão teria ficado aterrorizada.

Durante a Missa, a narrativa afirma que manifestações semelhantes ocorreram novamente no momento da consagração.
Depois da Missa, o exorcismo continuou.

O bispo ordenou:

— “Agora, finalmente, deves partir. Fora, espírito maligno!”

Segundo a narrativa, o espírito respondeu que precisava partir, mas que não o faria antes de chegar a hora em que havia entrado no corpo de Nicole. Então o bispo tomou a Hóstia consagrada e pronunciou a fórmula final, ordenando ao espírito que deixasse Nicole em nome da Santíssima Trindade e do Corpo de Jesus Cristo ali presente.

Segundo o relato, finalmente o espírito abandonou a jovem. Nicole teria recuperado imediatamente o uso do braço. Ela teria se ajoelhado e agradecido a Deus. A multidão teria começado a cantar e a celebrar.

Um Te Deum teria sido entoado, os sinos teriam tocado e a cidade teria sido tomada pela celebração.

Os protestantes presentes:

A tradição de Müller afirma que alguns protestantes presentes teriam ficado profundamente impressionados. Afirma ainda que alguns protestantes presentes teriam se convertido ao catolicismo, interpretando o acontecimento como uma demonstração da presença real de Cristo na Eucaristia

O relato conta que um protestante alemão chamado Voske teria se ajoelhado e chorado, dizendo que agora acreditava que o demônio realmente possuía aquela mulher e que acreditava também na presença real de Cristo na Eucaristia.

O texto apresenta-o dizendo, em essência:

— “Agora creio firmemente que o demônio realmente possui esta pobre criatura. Creio que é realmente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo que o expulsa.”

A narrativa afirma que ele teria acrescentado:

— “Não permanecerei mais protestante.”

Assim termina, segundo a tradição católica, a longa provação de Nicole Aubrey. A jovem teria sido libertada após aproximadamente três meses, desde novembro de 1565 até fevereiro de 1566. O episódio ficou conhecido como o Milagre de Laon. Relatos sobre o acontecimento foram publicados e difundidos rapidamente, inclusive em diferentes idiomas. Para os autores católicos, o acontecimento foi apresentado como uma manifestação extraordinária do poder de Cristo e da presença real na Eucaristia.

— Referências:

1. [Jean Boulaese publicou relatos sobre o caso de Nicole Obry ainda no século XVI. Estudos acadêmicos identificam, entre suas obras, L'Abbrégé et l'histoire du grand miracle de Laon (1573), além de outros textos relacionados ao episódio].

2. [Pe. Michael Müller, C.Ss.R. — The Triumph of the Blessed Sacrament: History of Nicola Aubry (1877)]

3. [Pe. Michael Müller — The Holy Sacrifice of the Mass (1874)]

℣. E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz! 

℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.

Descansem em paz. Amém.

℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.

"Para Cristo,
 por Maria e José,
 em súplicas pelas
 almas do purgatório".🙏🏾

† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!

Texto e Créditos na Imagem Via Página Apostoli Purgatorium.: https://www.facebook.com/ApostoliPurgatorium 

Assistam o Vídeo Abaixo, o padre falando Portuñol (Português misturado com Espanhol), Observação: Eu não consegui encontrar um vídeo em Português!📺📹🎧




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