CATEQUESE, FORMAÇÃO.: "A SERPENTE DE BRONZE, FIGURA DE CRISTO CRUCIFICADO!"
A Serpente de Bronze: figura de Cristo Crucificado
Vídeo com Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr:📺📹🎧
A serpente, na Sagrada Escritura, aparece frequentemente associada ao mal e ao poder do demônio. Desde o Gênesis, a serpente está relacionada à tentação e à queda do homem. Por isso, no simbolismo cristão, ela pode representar Satanás.
Entretanto, um símbolo bíblico não possui necessariamente um único significado. Seu sentido depende do contexto em que é utilizado.
O fogo, por exemplo, pode representar a presença e o amor de Deus, como no fogo que se manifesta a Moisés, mas também pode representar o juízo e o inferno. O leão pode simbolizar Cristo, o “Leão da tribo de Judá” (Ap 5,5), mas também pode representar o demônio, pois São Pedro afirma: “Vosso adversário, o Diabo, anda em derredor como leão que ruge, procurando a quem devorar” (1Pd 5,8).
Da mesma forma, a serpente pode possuir significados diferentes. Jesus mesmo utiliza a serpente como exemplo de prudência: “Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16). Portanto, não podemos afirmar que toda serpente, em qualquer passagem bíblica, represente necessariamente o demônio.
É justamente nesse contexto que devemos compreender a serpente de bronze.
No deserto, depois que o povo pecou contra Deus, surgiram serpentes venenosas que mordiam os israelitas. O Senhor então ordenou a Moisés:
«“Faze uma serpente abrasadora e põe-na sobre uma haste. Todo aquele que for mordido e a contemplar viverá.” (Nm 21,8)»
Moisés fez uma serpente de bronze e a colocou sobre uma haste. Quando alguém era mordido, olhava para a serpente de bronze e permanecia vivo (Nm 21,9).
À primeira vista, pode parecer estranho: se a serpente está associada ao mal e à morte, por que Deus utilizaria justamente a imagem de uma serpente como instrumento de cura?
Porque a serpente de bronze não era uma representação do demônio, mas um sinal estabelecido por Deus para representar aquilo que havia causado a morte do povo e, ao mesmo tempo, anunciar a vitória de Deus sobre essa morte.
E o próprio Cristo revela o sentido profundo desse acontecimento.
No Evangelho de São João, Jesus declara:
«“Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.” (Jo 3,14-15)»
Aqui está a chave de interpretação.
A serpente de bronze era uma figura profética de Cristo crucificado. Assim como os israelitas, feridos pelas serpentes, olhavam para aquilo que havia sido levantado sobre a haste e recebiam a cura, também o pecador, ferido pelo pecado, volta o olhar para Cristo elevado na cruz e encontra nele a salvação.
Há, portanto, uma profunda inversão simbólica: aquilo que normalmente evocava a morte torna-se, por ação de Deus, um sinal de vida.
A serpente de bronze, porém, não salva por possuir algum poder mágico. A cura vinha de Deus mediante a fé e a obediência à sua palavra. Da mesma forma, não é a cruz como objeto material que salva, mas Cristo que nela se entregou por nossa salvação.
Por isso, São Paulo pode dizer que Cristo “se fez pecado por nós” (2Cor 5,21), isto é, tomou sobre si a condição daquele que carrega o pecado, sem jamais ter pecado. Na cruz, Cristo assume as consequências do pecado humano e vence o pecado por meio de sua própria entrega.
São João ainda relaciona a crucificação com a profecia:
«“Olharão para aquele que transpassaram.” (Jo 19,37)»
A referência é a Zacarias 12,10, e São João a aplica diretamente a Cristo crucificado.
Assim, a serpente de bronze deve ser compreendida dentro da tipologia bíblica: um acontecimento real do Antigo Testamento que, pela ação da providência divina, prefigurava uma realidade que encontraria seu cumprimento em Cristo.
A serpente levantada no deserto aponta para Cristo levantado na cruz.
Os israelitas feridos pelas serpentes apontam para a humanidade ferida pelo pecado.
O olhar para a serpente de bronze aponta para a fé em Cristo crucificado.
A cura da morte temporal aponta para a vida eterna conquistada por Cristo.
Portanto, a serpente de bronze não contradiz o simbolismo da serpente associado ao demônio. Pelo contrário: Cristo utiliza justamente essa imagem para mostrar sua vitória sobre o pecado, a morte e o poder de Satanás.
Aquele que foi levantado na cruz é o mesmo que vence aquilo que a serpente representa. A imagem da morte torna-se, pela ação de Deus, sinal daquele que dá a vida.
É por isso que Jesus não diz simplesmente que a serpente de bronze representa a cruz, mas estabelece uma comparação solene:
“Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem.” (Jo 3,14)
A serpente de bronze, portanto, é uma das mais belas figuras do Antigo Testamento que apontam para o mistério da Cruz: Cristo assume sobre si aquilo que nos conduzia à morte e, por sua entrega, transforma a cruz em caminho para a vida eterna.
Texto e Créditos na Imagem Via Página Venerável Fulton Sheen.: https://www.facebook.com/lucian.pianor.9
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