CURIOSIDADES.: "JESUS FOI PREGADO NUMA CRUZ OU NUMA ESTACA"?!
Pergunta de um seguidor: JESUS FOI PREGADO EM UMA CRUZ OU EM UMA ESTACA? O QUE A BÍBLIA DIZ?
As Testemunhas de Jeová ensinam que Jesus não morreu em uma cruz, mas em um simples “poste de tortura”, uma espécie de estaca vertical. Também afirmam que haveria apenas um prego atravessando as duas mãos.
Cruz Coroada e as Testemunhas de Jeová
No movimento dos Estudantes da Bíblia
No final do século XIX a Cruz Coroada também foi usada como insígnia dos Estudantes da Bíblia, um grupo religioso formado em Pittsburgh nos EUA e que é precursor das modernas Testemunhas de Jeová. Dentre o grupo original, o símbolo, rodeado por folhas de louro, era usado na forma de broches, e também podia ser encontrado em suas publicações, como na capa da revista “Zion's Watch Tower” ("Torre de Vigia de Sião") nos anos de 1891 a até 1931.
A Sociedade Torre de Vigia, que cuidava dos interesses dos Estudantes da Bíblia, foi deixando de utilizar a Cruz Coroada após a morte de seu fundador Charles Taze Russell. A organização passou a adotar o conceito de que Cristo foi pregado em uma estaca (madeiro) simples, sem vigas cruzadas, vendo a cruz tradicional (com duas vigas) como um símbolo pagão. Por essa razão, na edição de 15 de Outubro de 1931 da revista “Zion's Watch Tower”, o símbolo não mais aparecia em sua capa.
Mas será que essa interpretação corresponde realmente ao testemunho bíblico?
1. TOMÉ FALA EM “PREGOS”, NO PLURAL:
Depois da Ressurreição, São Tomé declarou:
“Se eu não vir nas suas mãos a marca dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não puser a minha mão no seu lado, não acreditarei.”
(João 20,25)
O texto grego utiliza τοὺς ἥλους (tous hēlous), isto é, “os pregos”, no plural.
É importante notar: São João não escreveu simplesmente “o prego”, mas “os pregos”.
Além disso, Tomé fala das “mãos” de Jesus no plural. A leitura mais natural da cena é que as marcas dos pregos estavam nas mãos de Cristo.
Isso não constitui, isoladamente, uma prova matemática de que havia exatamente um prego em cada mão, mas certamente não favorece a reconstrução de um único prego atravessando as duas mãos.
E há outro detalhe: João 20,27 continua falando das mãos de Cristo:
“Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos.”
A tradição cristã desde os primeiros séculos representou as mãos de Cristo separadas, pregadas à madeira da cruz.
2. “CRUZ” NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE UMA SIMPLES ESTACA:
As Testemunhas de Jeová frequentemente argumentam que a palavra grega σταυρός (staurós) significaria originalmente apenas “estaca”.
O problema é que o significado de uma palavra não pode ser determinado apenas pela sua origem etimológica. O que importa é como ela é utilizada no contexto histórico e linguístico em questão.
No período romano, a crucificação podia utilizar diferentes estruturas de madeira. A forma exata podia variar. Portanto, não é correto transformar uma possibilidade uma simples estaca na única forma possível de execução.
O termo latino crux, por sua vez, está ligado ao instrumento romano de crucificação.
E o próprio relato dos Evangelhos apresenta elementos que se harmonizam muito melhor com uma estrutura transversal.
3. O LETREIRO SOBRE A CABEÇA DE JESUS:
Mateus 27,37 diz:
“E acima da sua cabeça puseram escrita a causa da sua condenação: ‘Este é Jesus, o Rei dos Judeus’.”
Observe a expressão:
“acima da sua cabeça”.
O Evangelho não diz que a inscrição estava simplesmente “acima das mãos”.
Isso se harmoniza perfeitamente com a representação tradicional de Cristo crucificado em uma estrutura com uma trave transversal, na qual o letreiro poderia ser colocado acima da cabeça.
4. E AS PASSAGENS DO ANTIGO TESTAMENTO?
As Testemunhas de Jeová também recorrem a Deuteronômio 21,22-23 e Josué 10,26, onde pessoas são descritas como sendo penduradas em uma árvore.
Mas esses textos não descrevem necessariamente o método romano de crucificação.
Em Deuteronômio, por exemplo, trata-se da exposição de um cadáver depois da execução:
“Seu cadáver não poderá permanecer na árvore durante a noite.”
O texto, portanto, não descreve um homem sendo executado vivo em uma simples estaca.
Além disso, o Novo Testamento emprega ξύλον (xýlon), “madeiro/árvore/lenho”, para falar da morte de Cristo.
Isso não significa necessariamente que Jesus morreu literalmente em uma árvore viva ou em uma única estaca. “Madeiro” descreve o material ou instrumento de madeira; não determina sozinho a forma geométrica do instrumento.
5. “MAS A BÍBLIA DIZ ÁRVORE!”
Sim. Mas dizer “árvore” ou “madeiro” não significa necessariamente dizer “uma única peça vertical de madeira”.
São Pedro, por exemplo, afirma:
“Levando os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro.”
(1 Pedro 2,24)
O foco do texto está no madeiro da Paixão, não em fornecer um desenho arquitetônico da cruz.
Portanto, não se pode concluir simplesmente:
ξύλον = estaca = Jesus morreu numa estaca.
Isso é uma conclusão que o texto bíblico não exige.
6. A CRUZ ERA O INSTRUMENTO ROMANO DE EXECUÇÃO:
A crucificação era uma forma romana de execução extremamente cruel e podia assumir diferentes configurações.
Por isso, devemos evitar a afirmação de que absolutamente todas as crucificações romanas tinham exatamente o mesmo formato.
Mas também é historicamente inadequado afirmar que os romanos utilizavam exclusivamente uma simples estaca vertical.
A forma tradicional da cruz cristã com uma trave vertical e outra transversal é plenamente compatível com o contexto romano da crucificação.
7. A TRADIÇÃO CRISTÃ É UNÂNIME NA REPRESENTAÇÃO DA CRUZ:
Desde os primeiros séculos, os cristãos utilizaram a cruz como sinal da morte redentora de Cristo.
A cruz tornou-se tão central na fé cristã que São Paulo pôde afirmar:
“Nós pregamos Cristo crucificado.”
(1 Coríntios 1,23)
E:
“Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.”
(Gálatas 6,14)
A cruz não é um detalhe secundário da fé cristã. É o instrumento da Paixão pelo qual Cristo ofereceu sua vida pela salvação do mundo.
CRUZ OU ESTACA?
A questão não pode ser decidida simplesmente dizendo que staurós “significa estaca” ou que xýlon “significa árvore”.
É necessário considerar:
• o vocabulário grego em seu contexto histórico;
• a prática romana de crucificação;
• o relato dos Evangelhos;
• João 20,25 e a expressão “os pregos”;
• Mateus 27,37 e a expressão “acima da sua cabeça”;
• a tradição cristã primitiva;
• e o testemunho histórico sobre a crucificação romana.
Portanto, não existe fundamento suficiente para afirmar que a Bíblia ensina que Jesus morreu necessariamente em uma simples estaca vertical.
A representação tradicional de Cristo pregado em uma cruz com uma trave transversal é perfeitamente compatível com o testemunho bíblico e com o contexto histórico da crucificação romana.
E há uma última coisa que não podemos esquecer:
Jesus não salvou o mundo por causa do formato geométrico da madeira.
Ele nos salvou porque, na cruz, o Filho de Deus entregou livremente a própria vida por amor a nós.
“Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo.”
Texto e Créditos na Imagem Via Página Venerável Fulton Sheen.: https://www.facebook.com/lucian.pianor.9
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