CATEQUESE.: 'AS MULHERES NO EVANGELHO DE SÃO LUCAS"
As Mulheres no Evangelho de São Lucas
Entre os quatro Evangelhos, São Lucas se destaca pela atenção especial que dedica às mulheres. Elas não aparecem simplesmente como personagens secundárias, mas como testemunhas da ação de Deus, exemplos de fé, discípulas e participantes da missão de Jesus.
Esta valorização da mulher chama-nos a atenção, pois, ao mesmo tempo que Lucas, vivia Sêneca, filósofo estóico, que escrevia a respeito da mulher:
“é animal sem pudor e… feroz, que não domina suas cobiças” (De constantia sapientis XIV 1).
Desde os primeiros capítulos, Lucas coloca duas mulheres no centro da história da salvação: Maria e Isabel.
Maria recebe o anúncio do anjo e responde com fé e disponibilidade: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Isabel, por sua vez, reconhece a grandeza daquilo que Deus realizou em Maria e proclama: “Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1,42). O encontro das duas mulheres torna-se uma das cenas mais belas do Evangelho e culmina no Magnificat (Lc 1,46-55).
Lucas também apresenta Ana, a profetisa, mulher idosa que permanece no Templo servindo a Deus com jejuns e orações. Ao encontrar o Menino Jesus, ela anuncia a redenção que chegou a Jerusalém (Lc 2,36-38). Assim, uma mulher é apresentada como testemunha e anunciadora da chegada do Messias.
Durante o ministério público de Jesus, encontramos novamente mulheres ocupando um lugar significativo. Lucas afirma que algumas mulheres acompanhavam Jesus e os Doze e “os assistiam com os seus bens” (Lc 8,1-3). Entre elas estavam Maria Madalena, Joana e Susana. Não são meras espectadoras: participam concretamente do círculo dos discípulos que acompanham Jesus.
Em Lucas 7,36-50 aparece a pecadora que unge os pés de Jesus. Enquanto o fariseu a despreza, Cristo olha para sua fé e arrependimento. A mulher, que socialmente era considerada pecadora, torna-se exemplo de amor e de gratidão: “Aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lc 7,47).
Também é próprio de Lucas o episódio de Marta e Maria (Lc 10,38-42). Marta serve, enquanto Maria se coloca aos pés de Jesus para escutá-lo. Cristo não despreza o serviço de Marta, mas mostra a prioridade da escuta da Palavra: “Maria escolheu a melhor parte” (Lc 10,42).
As mulheres aparecem ainda como exemplos de perseverança na oração. Na parábola da viúva insistente (Lc 18,1-8), uma mulher pobre enfrenta um juiz injusto e não desiste até obter justiça. Jesus utiliza sua perseverança como exemplo para ensinar os discípulos a rezarem sempre, sem desanimar.
Lucas também registra o gesto humilde da viúva pobre que oferece duas pequenas moedas no Templo (Lc 21,1-4). Enquanto os ricos dão do que lhes sobra, ela oferece tudo o que possuía para viver. Jesus transforma aquela mulher aparentemente insignificante em exemplo de generosidade e entrega.
No caminho da cruz, Lucas registra ainda o grupo de mulheres que seguia Jesus e chorava por Ele (Lc 23,27-31). E, depois da crucificação, são novamente mulheres que aparecem como testemunhas fundamentais: elas vão ao sepulcro, encontram-no vazio e recebem o anúncio da Ressurreição (Lc 24,1-10).
Portanto, não é por acaso que o Evangelho de Lucas apresenta tantas mulheres em momentos decisivos. Maria, Isabel, Ana, a pecadora arrependida, Marta, Maria de Betânia, as mulheres que acompanhavam Jesus, a viúva pobre e as mulheres que testemunharam a Ressurreição formam um verdadeiro mosaico da resposta humana à graça de Deus.
O Evangelho de Lucas mostra que, diante de Cristo, a verdadeira grandeza não está na posição social, na riqueza ou no prestígio, mas na fé, na humildade, na escuta da Palavra, na perseverança, no amor e na fidelidade.
Por isso, Lucas apresenta as mulheres não como figuras decorativas da narrativa, mas como verdadeiras testemunhas da salvação. Desde Maria, que aceita o plano de Deus, até as mulheres que anunciam aos Apóstolos a Ressurreição, elas aparecem como pessoas capazes de acolher a Palavra, seguir Jesus, servi-lo e testemunhar aquilo que Deus realizou.
É uma das características mais belas do terceiro Evangelho: o Cristo de Lucas eleva os pequenos, acolhe os marginalizados e manifesta que a graça de Deus não é limitada pelas convenções sociais de sua época.
Fonte Via Página Venerável Fulton Sheen.: https://www.facebook.com/lucian.pianor.9
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