OS 48 ANOS DO ATENTADO A IMAGEM DE NOSSA SENHORA APARECIDA, NA BASÍLICA VELHA EM 16-10-1978 E A RESTAURAÇÃO DA IMAGEM:
O Atentado a Imagem de Nossa Senhora Aparecida: como imagem original de Aparecida foi quebrada em mais de 200 pedaços; o episódio aconteceu durante uma missa em 1978; imagem foi reconstruída em 33 dias e devolvida a Aparecida em meio a uma multidão de fiéis.
Em 16 de maio de 1978 a Imagem de Nossa Senhora Aparecida sofreu um atentado e se partiu em mais de 200 pequenos.
Em 16 de maio de 1978, durante uma missa na Basílica Histórica de Aparecida, no interior de São Paulo, um episódio chocou os devotos de Nossa Senhora Aparecida. Um jovem de 19 anos aproveitou um apagão para furtar a imagem de um cofre de ouro, fugiu com ela e, mesmo após ser alcançado por um segurança, a arremessou no chão. O impacto quebrou a escultura original da santa em mais de 200 pedaços.
Quase cinco décadas depois, a história segue marcada não apenas pela violência contra um dos símbolos mais importantes da fé católica no Brasil, mas também pelo trabalho de reconstrução que permitiu devolver a imagem aos fiéis.
Na tarde do dia do atentado, uma terça-feira, houve forte ventania em Aparecida. Durante a última Santa Missa do dia na atual Basílica velha, iniciada às 20h, já durante a distribuição da Sagrada Comunhão, às 20:10, ocorreu um blecaute de energia de aproximadamente 2 minutos de duração. Rogério Marcos de Oliveira, de 19 anos, aproveitou-se do blecaute, pulou subindo no nicho da imagem de Nossa Senhora Aparecida, quebrou o vidro protetor no terceiro golpe, pegou a imagem, gerando gritaria na igreja. Ao descer, a coroa ficou presa no vidro quebrado, depois caindo e sendo amassada. A cabeça da imagem desprendeu-se, caiu ao chão e estilhaçou-se em farelos. Eis que a luz retorna, e em meio ao tumulto, Rogério sai com o corpo da imagem, sendo alcançado na rua pelo guarda João Batista, que o puxa pelo braço. Não se sabe se pelo puxão ou desejo de destruí-la, deixa o corpo da imagem cair ao chão e empreende fuga nas ruas escuras de Aparecida. O jovem foi preso a pouco mais de um quilômetro da Basílica, perto do rio, sangrando com cortes na mão e no braço direitos. Foi levado à Santa Casa para tratamento, depois à delegacia e dois dias depois, a um sanatório, sem que se tenha registrado queixa contra ele.
Depois descobriu-se que Oliveira era um jovem da cidade de São José dos Campos, iconoclasta, de um grupo Protestante que havia sido exortado a destruir todas as imagens que pudesse. Tendo ido à paróquia de São José, bateu na imagem do santo com uma toalha. Tendo viajado para Aparecida, realizou o conhecido atentado.
Após a fuga, alguns tentaram correr para linchar o agressor, ao que o Padre Antônio Lino Rodrigues CSsR, na tentativa de acalmar os fiéis, grita que a imagem roubada era falsa. As freiras Êgide e Efigênia começaram a juntar os cacos, depois sendo ajudadas por fiéis presentes, sendo que, infelizmente, houve fragmentos levados a residências. Os padres tentaram manter a versão de que a imagem quebrada era falsa, mas o Arcebispo de Aparecida, Dom Geraldo Penido, revelou no dia seguinte que era a verdadeira, mas ainda escondendo o fato da grande fragmentação da imagem.
Durante os próximos 33 anos, Rogério Marcos de Oliveira, que sempre carregaria o peso de ter sido “o louco que quebrou Aparecida”, conviveu com a esquizofrenia e com visões de anjos imaginários. Segundo o relato do jornalista Sérgio de Paula, passou o restante de sua vida em São José dos Campos graças à ajuda de parentes numa casa sem móveis, pois tinha medo de querer vendê-los para comprar drogas, usando um pedaço de carvão para desenhar demônios e santos nas paredes. Oliveira foi atropelado e morreu na via Dutra no fim de uma tarde de maio, em 2011, de onde o motorista fugiu sem prestar socorro.
O trabalho de restauração da Imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encomendado à artista plástica e restauradora Maria Helena Chartuni. Foram 33 dias de trabalho intenso que, resultaram, não só no encaixe perfeito dos pequenos pedaços de barro mas, também na conversão de Maria Helena, que se transformou numa católica e devota da Virgem Aparecida.
Primeiramente ela conseguiu recompor 165 pedaços, que eram bem pequenos. O restante, quase transformado em pó, foi juntado com cola especial usada na restauração e colocado no interior da imagem para ter o máximo possível de matéria original. A maior dificuldade foi a reconstrução da cabeça da Imagem, que estava destruída e quase não se podiam identificar os pedaços. Helena afirmou que experimentou algo fora do normal que a conduziu na restauração e só por isso ela conseguiu realizar essa obra. Realizar algo que era complicado demais, talvez até impossível.
Foram 33 dias de trabalhos e a Imagem foi restaurada. Segundo Maria Helena, enquanto ela recuperava a imagem, feita em terracota (barro cozido), um milagre foi acontecendo: Helena (até então atéia) recuperava sua fé. A restauradora afirmou que se sentiu uma pessoa privilegiada por ter sido escolhida para fazer a restauração da Imagem que tocava o coração e a alma de milhares de pessoas. Helena afirmou: "Enquanto ela era reconstituída fisicamente por mim, eu era reconstituída espiritualmente por ela, foi uma relação profunda e inexplicável, que eu chamo de milagre!"
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