CURIOSIDADES.: "A ORIGEM DA MEDALHA DE SÃO BENTO, POR PADRE PAULO RICARDO DE AZEVEDO JR:"


Curiosidades: A Origem da Medalha de São Bento: História e Significado:
Em 1647, no sul da Alemanha, durante um processo em que eram julgadas por feitiçaria, algumas mulheres confessaram seu fracasso em atingir a Abadia de Metten com seus malefícios. Afinal, o mosteiro estava protegido pela Cruz de São Bento.

Medalha de São Bento: história e significado:
Em 1647, no sul da Alemanha, região da Baviera, durante um julgamento em que eram acusadas de magia e feitiçaria, algumas mulheres confessavam seu fracasso em atingir a Abadia de Metten com seus malefícios. O mosteiro era da Ordem de São Bento de Núrsia — os famosos “beneditinos”.

Segundo as bruxas, o lugar estava sob a proteção da cruz.

Mas que cruz?
Uma investigação encontrou, pintadas nos muros do mosteiro, inúmeras cruzes, com letras num arranjo misterioso e enigmático: C, S, S, M e L, na vertical da cruz; N, D, S, M e D, na sua horizontal; ao redor, V, R, S, N, S, M e V, de um lado; e S, M, Q, L, I, V e B, de outro. 

Para decifrar o que significava a curiosa inscrição, foi necessária outra investigação, após a qual, finalmente, achou-se um manuscrito antigo, datado de 1415, com uma gravura de São Bento. Na imagem, o santo trazia numa das mãos uma cruz e na outra um pergaminho — e neste, por sua vez, a solução para o mistério. (Solução tão extraordinária que fez a cruz; as tais letras serem cunhadas na Alemanha; rapidamente se espalharem por toda a Europa, ganhando até aprovação do Papa Bento XIV, em 1741.)

Muito possivelmente, foi assim a origem do devocional que, hoje, todos conhecemos como “Medalha de São Bento” [i].


Um crucifixo com a Medalha de São Bento.
Originalmente uma cruz, várias orações estão presentes nela. Uma pede a proteção de São Bento na hora da morte: Ejus in obitu nro [nostro] praesentia muniamur — “Que, em nosso óbito, sejamos munidos de sua presença”. Outra pede a proteção contínua da Cruz do Senhor: Crux sacra sit mihi lux, non draco sit mihi dux — “A Cruz Sagrada seja minha luz, não seja o Dragão meu guia”. 

Mas a última chama particularmente a atenção — e pode ser a chave para entender a proteção de que gozava a Abadia de Metten, no século XVII, contra as magas da Baviera. Ao redor da medalha, há uma ordem dada diretamente ao príncipe das trevas e inimigo de Deus: Vade retro, Satana, nunquam suade mihi vana, diz a inscrição. Sunt mala quæ libas, ipse venena bibas. Em português: “Retira-te, Satanás, nunca me aconselhes coisas vãs. São más as coisas que tu ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos”. 

Convenhamos: essa não é uma maneira muito usual de as pessoas rezarem hoje em dia. Preferimos dirigir-nos a Deus e aos santos, e pedir a eles que nos protejam do mal, ao invés de mandar diretamente ao demônio que faça ou deixe de fazer alguma coisa. 

Mas assim são feitos os exorcismos ditos imperativos. E a Igreja nunca deixou de fazê-los. Este de São Bento, especialmente, está à disposição de todos os fiéis, que podem rezá-lo sobre si mesmos sempre que precisarem, para afastar as tentações e outras influências demoníacas.
As perguntas a serem feitas são: Qual a diferença entre um exorcismo como este e os que vemos nos filmes? O que nós, simples leigos, podemos mesmo fazer e o que não podemos? Qual o terreno seguro em que podemos caminhar nessa matéria tão… delicada, por assim dizer?

Uma coisa, porém, é certa: a Medalha de São Bento não é um “amuleto”. Por isso, de nada adianta usá-la e viver no pecado; de nada adianta trazê-la sempre no bolso, e não ter vida de oração; de nada adianta tê-la no carro ou em casa, e não trazer no coração as palavras que ela contém. 

Nessa matéria é sempre bem-vinda a orientação das “Diretrizes para o Ministério do Exorcismo à Luz do Ritual Vigente”, publicadas recentemente pelas Edições CNBB (2022, p. 109):

Quando se atribui uma importância de algum modo mágica a certas práticas, de outra forma legítimas ou necessárias, ou se atribui a eficácia das orações ou dos sinais sacramentais apenas à sua materialidade, independentemente das disposições interiores que são necessárias, isso significa cair na superstição 

As informações para a produção desse artigo foram retiradas todas de: Michael Ott, “Medal of Saint Benedict”. The Catholic Encyclopedia. Vol. 13. New York: Robert Appleton Company, 1912.

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr:



Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr, é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Várzea Grande, Diocese de Cuiabá, M.T, Leciona Teologia no Instituto Bento XVI Diocese de Lorena S.P, possui um trabalho de Evangelização nas Redes Sociais, (Equipe Christo Nihil Praeponere), e um canal no You Tobe chamado a Resposta Católica, imagens via Pinterest, texto via Site Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr.:
padrepauloricardo.org



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