O POEMA A VIRGEM MARIA DE SÃO JOSÉ DE ANCHIETA!

# O Poema à Virgem – São José de Anchieta 
*Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?*

*Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?*

*Não te move à aflição dessa Mãe toda em pranto,*

*Que a morte tão cruel do Filho chora tanto?*

* *

*E cujas entranhas sofrem e se consome de dor,*

*Ao ver, ali presente, as chagas que Ele padece?*

*Em qualquer parte que olha, vê Jesus,*

*Apresentando aos teus olhos cheios de sangue.*

* *

*Olha como está prostrado diante da Face do Pai,*

*Todo o suor de sangue do seu corpo se esvai.*

*Olha a multidão se comporta como Ele se ladrão fosse,*

*Pisam-NO e amarram as mãos presas ao pescoço.*

* *

*Olha, diante de Anás, como um cruel soldado*

*O esbofeteia forte, com punho bem cerrado.*

*Vê como diante Caifás, em humildes meneios,*

*Aguenta mil opróbrios, socos e escarros feios.*

* *

*Não afasta o rosto ao que bate, e do perverso*

*Que arranca Tua barba com golpes violento.*

*Olha com que chicote o carrasco sombrio*

*Dilacera do Senhor a meiga carne a frio.*

* *

*Olha como lhe rasgou a sagrada cabeça os espinhos,*

*E o sangue corre pela Face pura e bela.*

*Pois não vês que seu corpo, grosseiramente ferido*

*Mal susterá ao ombro o desumano peso?*

* *

*Vê como os carrascos pregaram no lenho*

*As inocentes mãos atravessadas por cravos.*

*Olha como na Cruz o algoz cruel prega*

*Os inocentes pés o cravo atravessa.*

* *

*Eis o Senhor, grosseiramente dilacerado pendurado no tronco,*

*Pagando com Teu Divino Sangue o antigo crime!*

*Vê: quão grande e funesta ferida transpassa o peito, aberto*

*Donde corre mistura de sangue e água.*

* *

*Se o não sabes, a Mãe dolorosa reclama*

*Para si, as chagas que vê suportar o Filho que ama.*

*Pois quanto sofreu aquele corpo inocente em reparação,*

*Tanto suporta o Coração compassivo da Mãe, em expiação.*

* *

* *

* *

*Ergue-te, pois e, embora irritado com os injustos judeus*

*Procura o Coração da Mãe de Deus.*

*Um e outro deixaram sinais bem marcados*

*Do caminho claro e certo feito para todos nós.*

* *

*Ele aos rastros tingiu com seu sangue tais sendas,*

*Ela o solo regou com lágrimas tremendas.*

*A boa Mãe procura, talvez chorando se consolar,*

*Se as vezes triste e piedosa as lágrimas se entregar.*

* *

*Mas se tanta dor não admite consolação*

*É porque a cruel morte levou a vida de sua vida,*

*Ao menos chorarás lastimando a injúria,*

*Injúria, que causou a morte violenta.*

* *

*Mas onde te levou Mãe, o tormento dessa dor?*

*Que região te guardou a prantear tal morte?*

*Acaso as montanhas ouvirão Teus lamentos?*

*Onde está a terra podre dos ossos humanos?*

* *

*Acaso está nas trevas a árvore da Cruz,*

*Onde o Teu JESUS foi pregado por Amor?*

* *

*Esta tristeza é a primeira punição da Mãe,*

*No lugar da alegria, segura uma dor cruel,*

*Enquanto a turba gozava de insensata ousadia,*

*Impedindo Aquele que foi destruído na Cruz.*

* *

*Mãe, mas este precioso fruto de Teu ventre*

*Deu vida eterna a todos os fieis que O amam,*

*E prefere a magia do nascer à força da morte,*

*Ressurgindo, deixou a ti como penhor e herança.*

* *

*Mas finda Tua vida, Teu Coração perseverou no amor,*

*Foi para o Teu repouso com um amor muito forte!*

*O inimigo Te arrastou a esta cruz amarga,*

*Que pesou incomodo em Teu doce seio.*

* *

*Morreu Jesus traspassado com terríveis chagas*

*Ele, formoso espírito, glória e luz do mundo;*

*Quanta chaga sofreu e tantas Lhe causaram dores;*

*Efetivamente, uma vida em vós era duas!*

* *

*Todavia conserva o Amor em Teu Coração, e jamais*

*Evidentemente deixou de o hospedar no Coração,*

*Feito em pedaços pela morte cruel que suportou*

*Pois à lança rasgou o Teu Coração enrijecido.*

* *

* *

*O Teu Espírito piedoso e comovido quebrou na flagelação,*

*A coroa de espinhos ensanguentou o Teu Coração fiel.*

*Contra Ti conspirou os terríveis cravos sangrentos,*

*Tudo que é amargo e cruel o Teu Filho suportou na Cruz.*

* *

*Morto Deus, então porque vives Tu a Tua vida?*

*Porque não foste arrastada em morte parecida?*

*E como é que, ao morrer, não levou o Teu espírito,*

*Se o Teu Coração sempre uniu os dois espíritos?*

* *

*Admito, não pode tantas dores em Tua vida*

*Suportar, aguentando se não com um amor imenso;*

*Se não Te alentar a força do nascimento Divino*

*Deixará o Teu Coração sofrendo muito mais.*

* *

*Vives ainda, Mãe, sofrendo muitos trabalhos,*

*Já te assalta no mar onda maior e cruel.*

*Mas cobre Tua Face Mãe, ocultando o piedoso olhar:*

*Eis que a lança em fúria ataca pelo espaço leve,*

*Rasga o sagrado peito ao teu Filho já morto,*

*Tremendo a lança indiferente no Teu Coração.*

* *

*Sem dúvida tão grande sofrimento foi à síntese,*

*Faltava acrescentá-lo a Tuas chagas!*

*Esta ferida cruel permaneceu com o suplício!*

*Tão penoso sofrimento este castigo guardava!*

* *

*Com O querido Filho pregado a Cruz Tu querias*

*Que também pregassem Teus pés e mãos virginais.*

*Ele tomou para Si a dura Cruz e os cravos,*

*E deu-Te a lança para guardar no Coração.*

* *

*Agora podes, ó Mãe, descansar, que possui o desejado,*

*A dor mudou para o fundo do Teu Coração.*

*Este golpe deixou o Teu corpo frio e desligado,*

*Só Tu compassiva guarda a cruel chaga no peito.*

* *

*Ó chaga sagrada feita pelo ferro da lança,*

*Que imensamente nos faz amar o Amor!*

*Ó rio, fonte que transborda do Paraíso,*

*Que intumesce com água fartamente a terra!*

* *

*Ó caminho real com pedras preciosas, porta do Céu,*

*Torre de abrigo, lugar de refúgio da alma pura!*

*Ó rosa que exala o perfume da virtude Divina!*

*Joia lapidada que no Céu o pobre um trono tem!*

* *

*Doce ninho onde as puras pombas põem ovinhos,*

*E as castas rolas têm garantia de suster os filhotinhos!*

*Ó chaga, que és um adorno vermelho e esplendor,*

*Feres os piedosos peitos com divinal amor!*

* *

*Ó doce chaga, que repara os corações feridos,*

*Abrindo larga estrada para o Coração de Cristo.*

*Prova do novo amor que nos conduz a união!*

*Porto do mar que protege o barco de afundar!*

* *

*Em Ti todos se refugiam dos inimigos que ameaçam:*

*Tu, Senhor, és medicina presente a todo mal!*

*Quem se acabrunha em tristeza, em consolo se alegra:*

*A dor da tristeza coloca um fardo no coração!*

* *

*Por Ti Mãe, o pecador está firme na esperança,*

*Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!*

*Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo,*

*Jorrando água para a vida eterna!*

* *

*Esta ferida do peito, ó Mãe, é só Tua,*

*Somente Tu sofres com ela, só Tu a podes dar.*

*Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança,*

*Para que possa viver no Coração do meu Senhor!*

* *

*Entrando no âmago amoroso da piedade Divina,*

*Este será meu repouso, a minha casa preferida.*

*No sangue jorrado redimi meus delitos,*

*E purifiquei com água a sujeira espiritual!*

* *

*Embaixo defste teto que é morada de todos,*

*Viver e morrer com prazer, este é o meu grande desejo.*

Fonte Via irmão José Wagner.: https://www.facebook.com/moises.vagnerr




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