O MATRIMÔNIO CRISTÃO, CAMINHO DE PUREZA E SANTIDADE!

O MATRIMÔNIO CRISTÃO: CAMINHO DE PUREZA E SANTIDADE
(Reflexão teológico-moral dirigida aos esposos cristãos)

Introdução:

É doloroso constatar que, em nossos tempos, muitos fiéis têm sido expostos a ensinamentos confusos e permissivos acerca da vida conjugal.

Não raramente, ouvem-se (nos meios religiosos progressistas) expressões como: “Entre quatro paredes, tudo é permitido” — como se o sacramento do matrimônio concedesse licença para atos que sempre foram condenados pela lei de Deus e pela moral cristã.

Tal mentalidade, influenciada pelo relativismo moderno e na esteira do Concílio Vaticano II, afasta-se gravemente da doutrina multi secular da Igreja, que sempre ensinou ser o matrimônio caminho de santificação, e não desculpa para o pecado.

O amor conjugal é santo quando vivido na ordem da graça, respeitando o fim e a pureza do ato matrimonial, conforme ensinam os santos doutores e o Magistério tradicional.

A verdade permanece imutável: “O matrimônio seja honrado por todos, e o leito sem mácula.” (Hb 13,4)

Diante dessa confusão, torna-se urgente recordar aos casais cristãos a beleza e a gravidade da vocação matrimonial, restaurando o sentido sobrenatural do amor e da pureza, como meio de salvação e de união com Deus.

I. O sentido sobrenatural do matrimônio:

O Catecismo de São Pio X ensina: “O matrimônio é o sacramento que santifica a união entre o homem e a mulher, e lhes confere a graça de viver santamente e criar seus filhos no temor de Deus.”

Portanto, o matrimônio não é um contrato meramente humano, mas uma aliança espiritual. O amor conjugal deve refletir o amor de Cristo pela Igreja: fiel, puro, generoso e fecundo.

São Paulo escreve: “Maridos, amai as vossas esposas, como Cristo amou a Igreja; e esposas, sede submissas a vossos maridos como ao Senhor.” (Ef 5,22-25)

Esta submissão e este amor não são servidão nem domínio, mas harmonia de virtudes, em que cada um cumpre o seu papel segundo a ordem querida por Deus.

II. A pureza conjugal:

São Tomás de Aquino ensina (S. Th., II-II, q.154, a.11): “Os pecados contra a natureza são gravíssimos, porque se opõem diretamente à finalidade natural do ato conjugal.”

E Santo Afonso de Ligório confirma na Theologia Moralis (lib. VI, n. 916): “Os cônjuges não podem, sem pecado mortal, usar do matrimônio de modo contrário à sua natureza e ao fim para o qual foi instituído.”

O uso do matrimônio é lícito quando respeita a ordem natural e o fim procriativo, sendo acompanhado de amor e modéstia.

Quando o prazer se torna fim em si mesmo, o ato perde sua bondade e se torna ofensa grave a Deus, mesmo dentro do vínculo legítimo.

O casal cristão deve, pois, guardar pureza no amor, lembrando que o matrimônio é santo e que o leito conjugal deve permanecer sem mancha.

III. A verdadeira obediência e o verdadeiro amor:

A esposa é chamada à obediência no Senhor (cf. Col 3,18), mas essa obediência não inclui o pecado; e o marido, por sua vez, deve amar sua esposa com respeito e doçura, não exigindo o que ofende a Deus.

Nenhum dos dois tem poder sobre o outro para induzi-lo ao mal.

O verdadeiro amor conjugal busca a salvação da alma do outro, não a satisfação egoísta.

São Francisco de Sales ensina: “O amor conjugal é o mais santo de todos, mas se o prazer se torna o fim, degenera e torna-se sensualidade.” (Filotéia, III, 39)

Amar em Cristo significa ajudar o outro a ser santo, mesmo quando isso exige renúncia e domínio de si.

IV. O casal como pequena Igreja:

O Concílio de Trento chama o matrimônio de “remédio para a concupiscência” (Sess. XXIV, De sacr. matr.), o que significa que Deus concede a graça de dominar as paixões e purificar o amor.

O lar cristão deve ser um refúgio da presença divina, onde se reza, se perdoa e se serve com alegria.

O esposo é o guia espiritual; a esposa, o coração orante do lar. Ambos, unidos na fé, caminham rumo à eternidade, sustentando-se mutuamente nas provações.

V. Conclusão moral e espiritual:

O casal cristão deve lembrar-se sempre:
- A obediência ao cônjuge termina onde começa o pecado.
- O amor verdadeiro é o que conduz a Deus, não o que se desvia Dele.
- A graça do sacramento dá força para viver a castidade conjugal e vencer a tentação.
- “Antes obedecer a Deus do que aos homens.” (At 5,29)
- “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5,8)

Aqueles esposos que se unem em oração, evitam o pecado e se perdoam mutuamente são como dois peregrinos que caminham juntos para o Céu, sustentados pela cruz e pela graça.

Oração Nupcial:

​“[...] Ó Deus, que consagrastes o vínculo do Matrimônio com um mistério tão excelente, que prefigurastes no consórcio conjugal a união de Cristo com a Igreja: Sede propício às nossas súplicas e estabelecei com a vossa bênção o que por Vós se une. [...] E que esta vossa serva se mantenha no amor e na paz, imite as santas mulheres, cujo louvor é a Sagrada Escritura. Que o seu marido confie nela, considerando-a [...] a herdeira da sua vida e da graça. Que ela o regozije como a videira, e seja para ele, como Raquel, amável, como Rebeca, sábia na castidade, fecunda como Lia. E que, chegando à velhice, possa ver os filhos dos seus filhos.” 

Assim seja.

(Ritual Romano, 1958)

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Pe. Gilberto Lima Ferreira (Org.)

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