OS SOFRIMENTOS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO:
OS SOFRIMENTOS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO:
Em que necessidade se acham estas santas prisioneiras! Certo é que seu sofrimento é imenso. “O fogo que as tortura, diz Santo Agostinho, é mais grave do que qualquer sofrimento que possa atormentar o homem nesta vida”. O mesmo diz Santo Tomás, acrescentando ser aquele fogo semelhante ao do inferno: “pelo mesmo fogo é atormentado o condenado, e purificado o escolhido”. Isto quanto ao sofrimento dos sentidos. Mas muito maior é o sofrimento que causa a estas santas esposas a privação da visão de Deus. Aquelas almas, não só por natureza, mas ainda pelo amor sobrenatural em que ardem para com Deus, com tal ímpeto são impelidas para unirem ao sumo Bem que, vendo-se impedidas por motivo de suas culpas, sofrem dor tão acerba que, se lhes fosse possível a morte morreriam a cada momento. Pois, segundo diz, São João Crisóstomo, esta privação da visão de Deus as atormenta muito mais do que o sofrimento dos sentidos: “Mil fogos do inferno juntos não causariam tanta dor, como esta do dano!” Por isso aquelas santas almas prefeririam sofrer qualquer outro castigo do que serem destituídas um só momento, da suspirada união com Deus. Diz, por isso, o Doutor Angélico que “o sofrimento do purgatório excede toda as dores que podemos sofrer nesta vida”. Refere Dionísio Cartusiano que certo defunto, ressuscitado pela intercessão de São Jerônimo, disse a São Cirilo de Jerusalém que todos os tormentos desta terra são gozosos em comparação com o menor sofrimento do purgatório: “Todos os tormentos desta vida, se comparados à menor pena do purgatório, seriam verdadeiros gozos”. E acrescenta que, se alguém tivesse experimentado aqueles sofrimentos, mais prontamente quereria sofrer todas as dores que sofreram ou sofrerão os homens neste mundo até o dia do juízo, do que sofrer, por um só dia, o menor sofrimento do purgatório. Por isso escreveu São Cirilo que aqueles sofrimentos, quanto à aspereza, são os mesmos do inferno, apenas diferem porque não são eternos.
As almas do purgatório sofrem horrivelmente e não podem socorrer-se a si mesmas:
São, pois, muito grandes as penas daquelas almas e, por outro lado elas não podem ajudar-se, segundo Jó “estão presas e ligadas pelos laços de pobreza” (Jó 36, 8). Já estão destinadas ao Reino aquelas santas rainhas, mas dele não podem tomar posse, enquanto não chegar o fim de sua expiação. Portanto, não podem ajudar-se a si próprias, (ao menos suficientemente, se quisermos crer nos teólogos que admitem que aquelas almas com suas orações também possam impetrar para si algum alívio), para livrar-se daquelas prisões, em que estão detidas enquanto não tiverem satisfeito inteiramente à justiça divina. Elas não podem quebrar essas cadeias enquanto não tiverem satisfeito à justiça divina e todo o seu rigor. Foi o que disse, falando do purgatório, um monge cisterciense, aparecendo ao sacristão do seu convento: “Ajudai-me, pediu ele, com vossas orações, porque por mim nada posso obter!” Isto concorda com o que diz S. Boaventura: “A pobreza impede o pagamento das dívidas”. Quer dizer que as almas do purgatório são tão pobres que não podem satisfazer por si próprias à justiça divina.
A obrigação que temos de rezar pelas almas do purgatório:
É certo, entretanto, e até de fé, que nós, com os nossos sufrágios e, principalmente com os orações recomendadas pela Igreja, bem podemos auxiliar aquelas santas almas. Não sei como poderá se isentar de culpa, quem deixa de oferecer-lhes qualquer auxílio, ao menos algumas orações.»
Livro: A Oração, P: 28-29
(Santo Afonso Maria de Ligório)
📸 Créditos na a Imagem Via Pinterest Texto Via Grupo Rezemos Pelas Almas do Purgatório.: https://facebook.com/groups/rezemospelasalmas/
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