CISMA DE ROMA X FSSPX (FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X)
CISMA DE ROMA X FSSPX (FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X)
Esta manhã o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou o decreto sobre as consagrações episcopais realizadas pela Fraternidade São Pio X sem mandato pontifício. O texto é cristalino: trata-se de um ato de natureza cismática.
O decreto declara que o Bispo Alfonso de Galarreta, tendo consagrado quatro sacerdotes sem mandato pontifício e contra a vontade do Papa, incorreu nas penas previstas pelo direito canônico. Declara também que os quatro novos bispos e o Bispo Bernardo Fellay, seu co-consagrador, incorreram na excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica.
Mas o ponto mais delicado diz respeito aos fiéis. O decreto adverte o clero e os fiéis leigos a não aderirem ao cisma da Fraternidade São Pio X, pois também incorreriam na excomunhão latae sententiae.
É preciso entender isso claramente. O que significa não aderir ao cisma? Certamente não significa odiar a Fraternidade, nem negar o bem recebido de alguns de seus sacerdotes. Não significa desprezar aqueles que amam a liturgia tradicional, nem gritar "excomungado" para cada fiel confuso, magoado ou apegado.
A Igreja está dizendo uma coisa: não abracem a cisão. Aderem ao cisma aqueles que defendem consagrações sem mandato pontifício como legítimas, aqueles que dizem que a Fraternidade agiu bem contra o Papa, aqueles que apresentam Roma como não mais católica e aqueles que consideram a Fraternidade o último refúgio seguro para a verdadeira fé.
A Nota Explicativa da Santa Sé acrescenta uma indicação ainda mais concreta: os fiéis são convidados a se abster das celebrações e atividades promovidas pela Fraternidade. Isso significa que não podem mais continuar como se nada tivesse acontecido, como se fosse meramente uma preferência litúrgica ou uma escolha espiritual normal entre outras.
Isso também se aplica a comentários públicos nas redes sociais. Nos últimos dias, evitei responder a muitos comentários, pois tudo parecia estar se transformando em partidarismo. Cheguei a tolerar palavras ofensivas contra a Igreja, contra o Santo Padre e contra os fiéis que, responsavelmente, buscam permanecer unidos à Igreja de Roma.
Agora, porém, as coisas mudaram. Roma se pronunciou e todos devem assumir a responsabilidade por suas próprias palavras. Peço aos meus amigos que evitem comentários que não sejam devida reflexão. Simpatizar com a Fraternidade ou ter um vínculo emocional com ela não deve inspirar o orgulho de se sentir recompensado com a excomunhão. Essa não é a escolha certa.
Muitos podem ser tentados a buscar, num senso de pertencimento baseado na identidade, uma forma de expressar sua amargura aderindo às posições da Fraternidade. Não façam isso. Seria uma escolha que também afetaria a realidade espiritual de nossas vidas. Não se deixem levar pela emoção e pelo instinto. Resistam a essa tentação, porque o que está em jogo aqui é precisamente aquela salus animarum (saúde da alma) da qual tanto se fala, mas que, na realidade, corremos o risco de negligenciar demais. Não estamos mais diante de uma simples preferência litúrgica. Trata-se de uma escolha eclesiológica. Muitos fiéis receberam o bem da Fraternidade: liturgia, confissão, pregação, um senso do sagrado. Esse bem não deve ser negado. Mas o bem recebido não pode se tornar uma corrente. A gratidão não pode se transformar em adesão a uma ruptura.
Após este decreto, ninguém pode fingir que tudo está como antes. A Tradição Católica não é propriedade da Fraternidade. A Missa antiga não está morta. A Igreja Católica não deixou de ser Igreja. Cristo não prometeu indefectibilidade a uma Fraternidade, mas à sua Igreja.
Agora precisamos de caridade, certamente. Mas caridade verdadeira, não anestesia espiritual. Os fiéis simples devem ser ajudados, não insultados. Devem ser acompanhados, não arrastados para a militância. Devem ser advertidos, porque as palavras públicas, as escolhas concretas e as afiliações importam.
O cisma foi declarado. Agora a questão diz respeito a cada um de nós: a que pertenço? Na Igreja Católica, ferida, mas real, ou em uma narrativa que me leva a considerar a Fraternidade a verdadeira Igreja contra Roma?
A comunhão não é responsabilidade apenas do Papa ou dos bispos. Ela pertence a todos nós. Cada batizado é chamado a construir a unidade, evitar divisões, cultivar a obediência da fé e amar a Igreja não apenas quando ela corresponde às nossas preferências, mas porque nela reconhecemos o Corpo de Cristo.
Talvez este momento seja um grande convite à conversão. Antes de apontarmos as rupturas dos outros, vale perguntar: como tenho vivido minha comunhão com a Igreja? Tenho promovido a unidade ou alimentado divisões? Tenho amado a Igreja concreta, com suas riquezas e limitações humanas, ou apenas a Igreja idealizada segundo meus gostos pessoais?
Que São Pedro nos ensine a amar a Igreja com fidelidade. Que São Paulo nos recorde que "há um só Corpo e um só Espírito" (Ef 4,4). E que jamais esqueçamos a promessa do próprio Cristo, fundamento da nossa esperança:
"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mt 16,18).
Mons André Sampaio de Oliveira.: https://www.facebook.com/Andre.Sampaio.Oliveira

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