CATEQUESE FORMAÇÃO CHEGAR TARDE A MISSA, E...

CHEGAR TARDE À MISSA, e… 
SITUAÇÃO:
Narrativa do fiel católico que chega sistematicamente tarde à Missa, que procura o primeiro lugar sentado da primeira fila da assembleia, que consequentemente não teve tempo para desligar o seu telemóvel, tocando este durante a celebração, incomodando os presentes e desconcentrado quem há horas está presente e sofre com a sua entrada.

A posição descrita não é apenas uma questão de etiqueta social ou de “boa educação” — trata-se, com rigor, de uma matéria litúrgica, moral e espiritual, porque toca directamente na natureza do Santo Sacrifício da Missa e na disposição interior exigida ao fiel.

1. A NATUREZA DA MISSA E A EXIGÊNCIA DE PREPARAÇÃO

A SANTA MISSA NÃO É UMA REUNIÃO HUMANA, mas a ATUALIZAÇÃO INCRUENTA DO SACRIFÍCIO DO CALVÁRIO. 
Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, a participação deve ser:
 ➡️ consciente
 ➡️ ativa
 ➡️ piedosa

Ora, essa participação exige preparação prévia: recolhimento, silêncio, exame interior. Chegar deliberadamente tarde rompe com esta disposição fundamental.

Do ponto de vista litúrgico, a Instrução Geral do Missal Romano (Instrução Geral do Missal Romano) pressupõe que os fiéis estejam presentes desde o início, isto é, desde o rito de entrada, que não é decorativo, mas parte integrante do ato sacrificial.

2. CHEGAR SISTEMATICAMENTE TARDE: MATÉRIA DE DESORDEM MORAL

Não se trata aqui de um atraso ocasional (por motivo legítimo), mas de um hábito:

➖revela falta de reverência ao culto divino; 
➖manifesta uma inversão de prioridades (Deus não é colocado em primeiro lugar); 
➖quebra a unidade da assembleia orante. 

Na tradição moral católica, isso pode constituir culpa leve ou grave, conforme:
✔️a consciência do fiel;
✔️a voluntariedade;
✔️o desprezo implícito pelo sagrado. 

Autores clássicos como Santo Afonso Maria de Ligório consideram que negligências habituais no culto podem configurar pecado venial reiterado — e, em certos casos, grave irreverência.

3. O ESCÂNDALO LITÚRGICO: PERTURBAR A ASSEMBLEIA:

A entrada tardia não é neutra. Ela:
 ▶️ distrai os fiéis recolhidos
 ▶️ quebra o silêncio sagrado
 ▶️ introduz uma dimensão mundana no acto litúrgico

Quando isso é agravado por:
 🔼 caminhar ostensivamente até à primeira fila;
 🔼 procurar lugares de destaque;
 🔼 gerar ruído ou agitação.

então há uma dimensão de escândalo, no sentido teológico: levar outros à distração, à irritação ou à perda do recolhimento.

Nos termos do Evangelho, recordamos a advertência de Jesus Cristo contra aqueles que buscam os primeiros lugares (cf. Lc 14,7-11). A atitude exterior revela uma disposição interior que pode oscilar entre:
 1️⃣ vaidade
 2️⃣ falta de humildade
 3️⃣ inconsciência espiritual

4. O TELEMÓVEL A TOCAR: PROFANAÇÃO PRÁTICA DO SAGRADO:


O toque de telemóvel durante a Missa não é um simples incômodo moderno — é, objetivamente, uma ruptura do espaço sagrado.

A liturgia é regida por:
 ⏺️ silêncio
 ⏺️ ordem
 ⏺️ sacralidade

A introdução de um som profano, inesperado e dissonante:
 🔷 quebra o clima de oração
 🔷 distrai o sacerdote e os fiéis
 🔷 pode afetar momentos cruciais (Consagração, leitura da Palavra, etc.)

Aqui há uma dupla negligência:
 🅰️ Falta de preparação (não desligar o aparelho)
 🅱️ Falta de caridade (não considerar o impacto nos outros)

5. A BUSCA DA PRIMEIRA FILA: SÍMBOLO DE DESORDEM INTERIOR:

Não é ilícito sentar-se à frente. Pelo contrário, pode ser sinal de atenção e piedade.
Mas, no caso descrito — chegada tardia + busca do primeiro lugar — há uma contradição evidente:
• EXTERIORMENTE: procura-se proximidade
• INTERIORMENTE: faltou-se à preparação e reverência

Isso revela uma possível forma de:
 ➡️ formalismo
 ➡️ aparência de devoção sem substância

Como adverte São João Crisóstomo, Deus não se deixa honrar por gestos exteriores que não correspondem ao coração.

6. SÍNTESE TEOLÓGICO-LITÚRGICA:

O comportamento descrito constitui uma desordem tripla:

a) CONTRA DEUS
⏺️falta de preparação para o Sacrifício;
⏺️irreverência objectiva.

b) CONTRA O PRÓXIMO
⏺️perturbação da oração alheia;
⏺️escândalo litúrgico.

c) CONTRA SI MESMO
⏺️perda dos frutos espirituais da Missa; 
⏺️habituação à tibieza.

7. REMÉDIO ESPIRITUAL E DISCIPLINAR:

A tradição espiritual é clara:
 1️⃣ chegar antes do início, com tempo para recolhimento
 2️⃣ guardar silêncio sagrado
 3️⃣ desligar completamente o telemóvel
 4️⃣ ocupar lugares com humildade, sem ostentação

E sobretudo:
 ✔️ cultivar o temor de Deus (no sentido bíblico)
 ✔️ recordar que se está diante do Sacrifício de Cristo

CONCLUSÃO:

O fiel que age como o aqui descrito, não comete apenas uma falta de educação — ele desordena a sua relação com o sagrado e introduz desordem na assembleia litúrgica.

A liturgia exige ALMA VIGILANTE, CORPO DISCIPLINADO e CORAÇÃO HUMILDE.
Tudo o que rompe essa harmonia — ainda que pareça pequeno — contribui para a perda do sentido do sagrado, que é precisamente uma das grandes crises do nosso tempo.
Créditos na Imagem Pinterest e Texto.: https://www.facebook.com/cartavares

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“AS PESSOAS ACHAM QUE A SANTA MISSA PRECISA DELAS, MAS, NA VERDADE, SOMOS NÓS QUE PRECISAMOS DA SANTA MISSA.” 
A SANTA MISSA não existe porque o homem “faz falta” a DEUS, como se DEUS dependesse de nossa presença. 
A Missa é, antes de tudo, o culto devido a DEUS e a atualização sacramental do sacrifício de CRISTO, oferecido para nossa salvação.

É o homem quem necessita da graça, da Palavra, do perdão, da comunhão e da participação no mistério redentor de JESUS CRISTO.

As pessoas acham que a Santa Missa precisa delas. 
Não. Somos nós que precisamos da Santa Missa. 
DEUS não necessita de nós; nós é que necessitamos de DEUS.
 Na SANTA MISSA recebemos graças, ouvimos a Palavra, adoramos e participamos do sacrifício de CRISTO tornado presente sacramentalmente. 

A SANTA MISSA não fica “incompleta” sem você; é você quem fica espiritualmente empobrecido sem ela. 

Os fiéis têm participação real no culto litúrgico, mas isso não significa que Deus “dependa” deles. 

A SANTA MISSA É UM DOM DE DEUS AO HOMEM, NÃO NECESSIDADE DE DEUS DO HOMEM.

Créditos na Imagem Via Pinterest Texto Via irmã Natália Coppens.: https://www.facebook.com/nathalia.coppens.2025







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