A BEATA BRASILEIRA QUE PASSOU 60 ANOS SÓ SE ALIMENDANDO DA EUCARISTIA!
O Acidente e o Início do Jejum
Nascida em Mercês (MG) em 1911, a trajetória de Lola mudou drasticamente na adolescência após uma queda de um pé de jabuticaba. O acidente lesionou gravemente sua coluna, deixando-a acamada no sítio da família, localizado em Rio Pomba (MG).
Pouco tempo após o ocorrido, relatos históricos apontam que ela parou de ingerir alimentos comuns e água, passando a consumir apenas a hóstia diária. O relato de seu cotidiano desafia as leis conhecidas da biologia: além de não comer ou beber, parentes, vizinhos e médicos afirmavam que Lola não dormia e não produzia nenhuma excreta (urina ou fezes). Ao longo dos anos, sua residência transformou-se em um polo de peregrinação para milhares de romeiros que viam em sua condição um sinal evidente de santidade.
A Ciência Diante do InexplicávelÉ justamente esse cenário que atrai a atenção da ciência contemporânea. A equipe da UFJF busca analisar o fenômeno sob a ótica da inédia (estado de abstinência total ou parcial de alimentos por um período prolongado).
Coordenado pelo médico psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, o estudo conta com uma equipe multidisciplinar que inclui o gastroenterologista Julio Chebli e o estudante de medicina Caio Almeida. O grupo também se apoia no trabalho e nos registros do geriatra Cláudio Bomtempo, que foi médico particular de Lola em seus últimos anos de vida e chegou a publicar um livro sobre ela.
O Desafio Biológico:
Do ponto de vista da medicina tradicional, o corpo humano necessita constantemente de calorias, proteínas, eletrólitos e vitaminas para manter o metabolismo funcionando. O objetivo da UFJF não é validar ou invalidar a fé de ninguém, mas sim coletar dados de forma rigorosa e respeitosa, entrevistando testemunhas íntimas e analisando documentos e prontuários da época para verificar quão robustas são as evidências sobre esse longo período de privação alimentar.
O Caminho para os Altares
Enquanto a ciência investiga as engrenagens fisiológicas do caso, a Igreja Católica avança com os ritos religiosos. Lola recebeu o título de "Serva de Deus" em 2005 pela Santa Sé Apostólica, o que marcou a abertura de seu processo de beatificação. Recentemente, a causa ganhou novos passos com a nomeação de um padre postulador (o responsável por conduzir o processo de canonização) pela Arquidiocese de Mariana.
Os pesquisadores reforçam que a análise acadêmica corre de forma totalmente independente e neutra em relação aos dogmas religiosos, embora os achados científicos possam, eventualmente, servir de consulta para o próprio Tribunal Eclesiástico no futuro.
Seja interpretado como um enigma profundo da biologia ou como um testemunho de conexão espiritual, o legado de Lola continua mobilizando a fé na Zona da Mata mineira e desafiando aquilo que a ciência compreende sobre os limites do corpo humano.
Comentários
Postar um comentário