FORMAÇÃO.: " QUANDO A LITURGIA PERDE O SENTIDO NA PARÓQUIA!
Quando a Liturgia Perde o Sentido na Paróquia.
Um problema silencioso nas celebrações paroquiais
Em muitas paróquias, constata-se a repetição de uma realidade preocupante: celebrações frias, pouca participação dos fiéis e uma sensação crescente de dispersão espiritual. As Missas acontecem regularmente, os ritos são executados corretamente, mas algo parece faltar. A comunidade participa sem compreender o que celebra, e a Liturgia corre o risco de se tornar apenas uma rotina religiosa.
É um cenário que não se desenha pela falta de boa vontade. Na maioria das vezes, o principal motivo encontra-se na ausência de planejamento pastoral da Liturgia. Quando não existe organização, em forma de Pastoral Litúrgica Paroquial (PLP), as celebrações ficam dependentes de improvisações ou de repetições automatizadas, sem a continuidade formativa, que a reforma litúrgica propõe em modo mistagógico.
A Liturgia, que deveria ser o centro da vida cristã, passa a ocupar apenas um espaço funcional na agenda paroquial. O padre, que deveria ser o liturgo, no sentido de ser o promotor da Liturgia como fonte da vida cristã, corre o sério risco de se tornar um funcionário do sagrado. Em muitas paróquias, infelizmente, isso tem se tornado um problema silencioso; as celebrações acontecem, mas quais mudanças, realmente são perceptíveis na vida pessoal dos celebrantes e na paróquia como um todo?
A Liturgia como coração da vida comunitária
A Igreja sempre compreendeu a Liturgia como o centro da vida cristã. A Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, afirma que a Liturgia é “fonte e cume” da vida da Igreja (SC 10). Isso significa que toda a ação pastoral nasce da celebração e para ela retorna. Isso significa, igualmente, que a vida espiritual dos celebrantes nasce da Liturgia e a ela retorna.
Quando a Liturgia é bem preparada, ela forma discípulos. Quando é improvisada, torna-se apenas ritos repetidos. Do ponto de vista pessoal, a Liturgia é a fonte alimentadora do discipulado. A cada celebração, os celebrantes devem se sentir cada vez mais caminhantes na estrada de Jesus; caminho do discipulado. O mesmo se diga da comunidade paroquial: cada celebração proporciona que a paróquia se torne a casa dos discípulos e discípulas de Jesus. Uma das finalidade da reforma litúrgica consiste em incrementar a vida cristã através da Liturgia. Esta finalidade encontra-se na primeira linha da Sacrosanctum Concilium (SC 1).
A história da Igreja mostra que os períodos de maior vitalidade espiritual sempre estiveram ligados a uma profunda consciência litúrgica. Desde as primeiras comunidades cristãs, a Liturgia é compreendida como escola de fé e assim é em nossos dias. Para isso de fato se realizar é preciso que a celebração seja capaz de tocar a vida dos celebrantes em modo evangelizado e evangelizador. Uma atividade que exige organização e planejamento da PLP.
Com tal finalidade, a PLP não é apenas uma equipe organizadora de celebrações. Ela é uma equipe que se coloca a serviço da evangelização. Planejar a vida litúrgica de uma comunidade paroquial significa criar um caminho espiritual contínuo de espiritualidade a partir do Evangelho. Não se trata, apenas, de realizar celebrações na paróquia, mas de qualificar as celebrações com a espiritualidade evangelizadora que forma discípulos e discípulas. O planejamento da PLP ajuda a integrar os Tempos Litúrgicos, os ministérios, os ritos... para que cada celebração faça parte de um itinerário em vista do crescimento na fé.
Serginho Valle.: https://www.facebook.com/VidaCelebrada
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