ESPECIAL 1 ANO DA MORTE DO PAPA FRANCISCO

Especial de 1 ano de Falecimento do Papa Francisco:

(Eleição do Papa Francisco 13\05\2013)

REPORTAGEM ESPECIAL, CANÇÃO NOVA:

Do “fim do mundo” à eternidade: um ano do adeus ao Papa Francisco
Do último gesto na Praça São Pedro às escolhas que marcaram seu pontificado, Francisco permanece como sinal de uma Igreja próxima, humana e fiel à sua missão

O Papa que veio do “fim do mundo”, como ele mesmo disse em 2013, em seu primeiro discurso como Pontífice, encontrou sua finitude terrena há um ano, em 21 de abril de 2025. Incansável, seu último ato público, um giro de papamóvel na Praça São Pedro, no domingo de Páscoa — após mais de um mês de internação — é o tipo de cena difícil de esquecer: um homem em sua mais extrema fragilidade, demonstrando total fidelidade à sua missão de estar com o povo de Deus até o fim.

Papa Francisco em dois momentos: à esquerda, durante sua eleição, acenando ao público; à direita, em sua última aparição pública, sentado e fazendo gesto de bênção.
De 2013 a 2025, a Igreja bebeu não somente dos ensinamentos provenientes do seu ministério petrino, mas pôde experimentá-los na prática: no carinho pelos jovens, no pedido insistente por paz, no olhar atento aos pobres e migrantes, na empatia pelos idosos, no acolhimento aos casais de segunda união. Também no pulso firme de quem buscou um clero mais santo, menos ideológico e mais voltado aos que padecem, com tolerância zero aos abusos — “uma tragédia”, como considerou, cujos danos jamais serão plenamente reparados.
Papa Francisco:
Que o Espírito Santo nos dê a graça da conversão e da unção interior para poder expressar, diante desses crimes de abuso, a nossa compunção e a nossa decisão de lutar com coragem

O brasileiro Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, cofundador da Fazenda da Esperança e integrante da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, destaca o olhar profundamente evangélico e concreto com que o Papa enfrentou a crise dos abusos na Igreja. Segundo ele, o Pontífice sempre deixou claro que se trata não apenas de um crime gravíssimo, mas de uma profunda traição da confiança, sobretudo em um ambiente que deveria ser de cuidado e anúncio do Evangelho. “Ele nos ensinou que esse caminho começa pela escuta das vítimas”, afirma.
(Papa Francisco Rezando diante da Cruz durante a Pandemia 27\03\2020)

Nelson também ressalta a firmeza de Francisco ao defender tolerância zero e promover avanços concretos no enfrentamento do problema, com medidas normativas e pastorais que ajudaram a Igreja a se tornar mais segura e confiável. Para ele, ao falar em reparação, o Papa indicou um caminho real de conversão: escutar, acolher, buscar justiça e reconstruir o que foi ferido. Trata-se, afirma, de uma visão profundamente cristã, que encara a dor sem negá-la, mas abre espaço para a cura e a esperança — uma verdadeira “espiritualidade da reparação”, iluminada pela Páscoa.
(Saudoso Papa Francisco *17\12\1936 - +21\04\2025 )

Influência franciscana no papado:

A atenção ao meio ambiente era autoexplicativa: um cardeal que, ao ser eleito Papa, escolheu pela primeira vez o nome “Francisco”, em referência a São Francisco de Assis, dificilmente deixaria de lado essa causa, que também deve ser entendida como uma legítima preocupação religiosa.

“Desde o início, o Papa deixou muito claro que a escolha desse nome era uma chave de leitura do seu pontificado. Inspirado em São Francisco de Assis, ele assumiu como eixo central do seu ministério uma espiritualidade marcada — eu diria — pela simplicidade, pela fraternidade universal e, claro, pelo cuidado com toda a criação”, afirmou o reitor do Santuário de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, em Guaratinguetá, frei Diego Atalino de Melo.
(Papa Francisco Rezando a Missa)

Segundo o franciscano, essa preocupação ecológica é, antes de tudo, religiosa, pois toca diretamente a relação do ser humano com Deus Criador, com o próximo e com o futuro da humanidade.

O olhar sobre o cuidado da criação

A preocupação ambiental de Francisco se materializou na Encíclica Laudato’ si , que ganhou amplo destaque sendo a primeira encíclica da Igreja dedicada inteiramente ao meio ambiente. “Foi um grande passo profético da nossa Igreja”, afirma o assessor da Pastoral da Ecologia da Diocese de Lorena (SP), padre Ailton Evangelista.
(Papa Francisco entre os Jovens)

.: Relembre como foi o adeus ao Papa Francisco

O sacerdote destaca que, dentro da Igreja, este documento conseguiu ampliar a compreensão a partir da teologia bíblica da criação, reconhecendo que no cuidado com a “casa comum” há uma forma de realizar também a “vida em plenitude”, ensinada por Jesus no Evangelho. No âmbito da sociedade, a Igreja ganhou mais espaço no debate com outras pessoas que se preocupam com o cuidado com a Criação.

Padre Ailton destaca como grande avanço deste documento o conceito da “ecologia integral”, unindo o viés ambiental com o humano. “Essa ecologia toca desde o meio ambiente, às estruturas, toca na política, na religião, na cultura, então uma coisa afeta a outra. Tudo está interligado”.

Padre Ailton Evangelista
(Laudato si’) Foi um grande passo profético da nossa Igreja.

Momentos célebres com Francisco:

A oração solitária na Praça São Pedro pelo fim da pandemia da covid-19, assim como o beijo nos pés dos líderes do Sudão do Sul — como súplica pela paz — e o gesto de lavar os pés de detentos em diversas Quintas-Feiras Santas são imagens que permanecem na memória coletiva.

Esses episódios, somados àqueles em que Francisco perdeu a calma — como quando repreendeu um fiel que o puxou durante visita ao México, em 2016, ou quando deu um tapa na mão de uma mulher na véspera do Ano Novo de 2020, gesto seguido de um sincero pedido público de desculpas — revelam a grandeza de um Papa que incentivou os fiéis a buscarem a santidade mesmo diante das fragilidades humanas.
(Papa Francisco abençoa um doente)

O mesmo Papa Francisco aclamado por uma multidão na praia de Copacabana, em 2013, falando com vitalidade aos jovens, foi também aquele que, 11 dias antes de sua morte, apareceu na Basílica de São Pedro em uma cadeira de rodas, com calças pretas, camiseta e um poncho listrado, usando uma cânula nasal para oxigênio. Após 38 dias de hospitalização por pneumonia bilateral, mesmo fragilizado, ainda parou para conversar com peregrinos e com uma família que carregava um bebê. A cena, rara, exalava simplicidade e humanidade no berço da fé católica, na própria Cátedra de Pedro.
(Visita do Papa Francisco por Ocasião da JMJ, no Brasil, Rio de Janeiro, 22 a 29\06\2013)


O arcebispo metropolitano da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, que recepcionou o Papa durante sua passagem pelo Brasil em 2013, recorda o pontífice como alguém que “marcou uma época” com seu trabalho, exemplo e escolhas. Ele destaca que o pontificado de Papa Leão XIV expressa a continuidade própria da tradição católica, aliada à necessidade de novos passos diante dos desafios do tempo presente. “Rezemos pelo Papa Francisco, para que repouse junto do Pai, e pelo Papa Leão, para que receba luz e sabedoria para conduzir a Igreja”, conclui.
(Encontro do Papa Francisco com os Noivos Praça São Pedro 14\02\2014)

Cardeal Orani Tempesta
Rezemos pelo Papa Francisco, para que repouse junto do Pai

Francisco e os passos para uma Igreja mais missionária

O Pontificado de Francisco durou pouco mais de 12 anos, mas deixou grandes contribuições para a Igreja. Para além da questão ambiental, mais que qualquer antecessor, ele ampliou o Colégio dos Cardeais, superando o limite tradicional de 120 cardeais eleitores (cardeais com menos de 80 anos de idade). Atualmente, o colégio conta com 135 eleitores, sendo que Francisco nomeou cerca de 80% deles (108 cardeais) ao longo de seu Pontificado.

Também foi neste pontificado que foi concluída a reforma da Cúria Romana, iniciada por predecessores e consolidada com a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, publicada em 19 de março de 2022. O documento deu ênfase ao papel missionário e pastoral da Cúria Romana, focando na evangelização, sinodalidade e serviço, e simplificou os organismos da Santa Sé (Dicastérios). Também abriu a possibilidade de leigos exercerem funções de liderança nos departamentos.

(Morte do Papa Francisco, 21\04\2025, Cidade do Vaticano, Roma Itália)

A atenção aos pobres e marginalizados:

Outra grande marca de Francisco foi sua especial atenção aos mais pobres e excluídos. Foi ele que instituiu o Dia Mundial dos Pobres logo nos primeiros anos de seu pontificado. Regularmente, ele recebia pessoas pobres e refugiados para almoços no Vaticano.


Gostava de visitar a periferia de Roma e fez isso também durante suas viagens apostólicas. Em sua visita ao Brasil, em 2013, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Rio de Janeiro, ele foi até a Comunidade de Varginha, no complexo de Manguinhos, onde visitou a casa de uma família e abençoou o altar da capela São Jerônimo Emiliani. Já em 2023, quando foi para a JMJ em Portugal, visitou o Centro Social e Paroquial de São Vicente de Paulo, no Bairro da Serafina, em Lisboa. E em 2024, só para citar um último exemplo, esteve na remota cidade de Vanimo, no extremo noroeste da Papua Nova Guiné.

Entre as ações diretas, realizadas a pedido de Francisco, estão a instalação de consultórios médicos, chuveiros e barbearias nas proximidades da Praça São Pedro, para atender pessoas em situação de rua.

“O Papa Francisco propôs uma verdadeira conversão pastoral quando ele afirmava o desejo de uma igreja pobre e para os pobres, como nós vemos na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium”, relembra Frei Diego. O frade franciscano acrescenta que o Papa deixou um legado ao “deslocar o centro” da ação eclesial. “Os pobres deixaram de ser apenas objeto de assistência e passaram a ser reconhecidos como sujeitos da evangelização (…) Ele insistiu muito que os pobres têm muito a ensinar à igreja, especialmente pela sua fé, sua resistência e sua esperança”.



Além de demonstrar isso em diversas ações bem concretas, o próprio Papa Francisco adotou um estilo de vida pessoal marcado pela proximidade e simplicidade, o que também se refletiu em suas viagens internacionais e peregrinações. Um exemplo foi a escolha por Lampedusa, uma cidade portuária na Itália que recebe e testemunha milhares de naufrágios de refugiados, como primeira viagem de seu pontificado.

Frei Diego recorda ainda a Encíclica Fratelli Tutti, de 2020, que amplia essa perspectiva e propõe uma fraternidade universal, que ultrapassa fronteiras e foca na dignidade humana. “Papa Francisco extrapolou os muros eclesiais e se tornou um grande líder mundial em termos de dignidade humana, direitos humanos e cuidado com o meio ambiente. (…) Seu testemunho e gestos concretos continuam a desafiar e inspirar toda a Igreja, e eu diria, toda a humanidade”.

O legado do Papa Francisco permanece, assim, vivo. Não como objeto de comparação, uma vez que a Igreja continua sendo conduzida por Deus na pessoa do Sucessor de Pedro que agora é Leão XIV, mas pela marca saudosa deixada por um argentino que, com sua vida e ministério, deu exemplo de amor a Deus e ao próximo.

A morte logo após o Domingo de Páscoa conferiu à sua história terrena um desfecho ainda mais eloquente e simbólico: na certeza da Ressurreição de Jesus e da ressurreição dos mortos — ápice da fé celebrada na maior festa da Igreja —, os católicos choraram sua partida sem perder a esperança, sustentados pela convicção de que Deus faz novas todas as coisas e de que o Céu não é uma promessa distante, mas uma realidade próxima.

Fonte Via Notícias Canção Nova.: noticias.cancaonova.com\especial\especial-de-um-ano-de-falecimento-do-papa-francisco\









 


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