O CASAMENTO DA VIRGEM MARIA COM SÃO JOSÉ!
# **O Casamento da Virgem com José, Instruído pela Sabedoria a ser o Guardião do Mistério.**
# ** 05 de setembro de 1944.**
# **1** Como Maria está linda em seu vestido de noiva, no meio de suas amigas e mestras que se alegram! Entre elas está Isabel.
# Vestida inteiramente com o mais puro linho, tão sedoso e fino que lembra seda preciosa, ela usa um cinto de ouro e prata gravados, feito inteiramente de medalhões unidos por correntes — cada medalhão um bordado de linhas douradas em meio à prata maciça polida pelo tempo — que circunda sua cintura esbelta. Talvez por ser grande demais para ela, ainda uma jovem delicada, o cinto pende à frente, com os três últimos medalhões caindo entre as dobras de seu longo vestido esvoaçante, que é tão comprido e arrasta um pouco no chão. Nos pés, usa sandálias de couro branco com fivelas de prata.
No pescoço, o vestido é preso por uma corrente com rosetas de filigrana de ouro e prata, que ecoam em miniatura o motivo do cinto, e que passa por grandes casas de botão no amplo decote, formando pregas que criam um pequeno babado. O pescoço de Maria emerge daquela brancura plissada com a graça de uma haste envolta em gaze preciosa, e parece ainda mais esguio e branco, uma haste de lírio terminando num rosto de lírio, ainda mais pálido pela emoção e mais puro. Um rosto da mais pura *aura* .
Seus cabelos não caem mais sobre os ombros. Estão delicadamente arrumados em nós, e preciosos grampos de prata polida, todos bordados com filigrana no arco da coroa, os mantêm no lugar. O véu de sua mãe repousa sobre essas tranças e cai em belas dobras sob o metal precioso que circunda sua testa muito branca. Ele chega até seus quadris, porque Maria não é tão alta quanto sua mãe, e o véu passa dos seus quadris, enquanto em Ana chegava à cintura. Suas
mãos estão nuas e seus pulsos são adornados com pulseiras. Mas seus pulsos são tão finos que as pesadas pulseiras de sua mãe caem até suas costas e talvez, se ela apertasse as mãos, elas caíssem no chão.
# **2** Suas companheiras a observam de todos os ângulos, admirando-a. Com suas perguntas e frases de admiração, elas fazem um alegre chilrear de pardais.
"São da sua mãe?"
"Antigas, não são?"
"Como é bonito este cinto, Sara!"
"E este véu, Susana? Mas veja como é delicado! Veja esses lírios entrelaçados nele!"
"Mostre-me as pulseiras, Maria! Eram da sua mãe?"
"Ela as usava. Mas pertencem à mãe do meu pai, Joaquim."
"Oh! Veja! Elas têm o selo de Salomão tecido com delicados ramos de palmeira e oliveira, e entre eles há lírios e rosas. Oh! Quem fez um trabalho tão perfeito e minucioso?"
"São da casa de Davi", explica Maria. "Por séculos, as mulheres da linhagem que se casam as usam, e elas permanecem como herança para o herdeiro."
"Sim! Você é a filha e herdeira..."
"Trouxeram tudo isso de Nazaré para você?"
"Não. Quando minha mãe morreu, minha prima levou o enxoval para casa para preservá-lo sem danos. Agora ela o trouxe para mim.
Onde está? Onde está? Mostre-o às minhas amigas."
Maria não sabe o que fazer... Ela quer ser educada, mas também não quer mexer em todas as coisas, arrumadas em três baús pesados.
As professoras vêm em seu auxílio. "O noivo está prestes a chegar. Não é hora de causar confusão. Deixem-na em paz, ou vocês a cansarão, e vão se arrumar."
O grupo tagarela se afasta, um pouco emburrado. Maria pode desfrutar da companhia de suas professoras em paz, enquanto elas lhe dirigem palavras de elogio e bênção.
# **3** Isabel também se aproximou. E Maria, comovida, chora porque Ana de Fanuel a chama de "Filha!" E, beijando-a com um afeto verdadeiramente maternal, Isabel lhe diz: "Maria, sua mãe não está aqui, mas ela está presente. Seu espírito se alegra ao seu lado. E veja, as coisas que você traz lhe devolvem seu carinho. Você ainda sente o sabor de seus beijos. Um dia, há muito tempo, no dia em que você veio ao Templo, ela me disse: 'Preparei suas roupas e seu enxoval de noiva, porque sempre quis ser eu quem fiaria seu linho e faria seus vestidos de noiva, para não estar ausente no dia de sua alegria.' E sabe? Recentemente, quando eu a ajudava, todas as noites ela queria acariciar suas primeiras roupas e estas que você veste agora, e dizia: 'Aqui sinto o perfume de jasmim da minha filhinha, e aqui quero que ela sinta o beijo de sua mãe.' Quantos beijos neste véu que sombreia sua testa! Mais beijos do que fios!… E, quando você usar as teias que ela teceu, pense que, mais do que o fio, o amor de sua mãe as formou. E Estas joias… Mesmo em momentos de dor, foram guardadas por seu pai para você, para torná-la bela, como convém a uma princesa de Davi, nesta hora. Seja feliz, Maria. Você não é órfã, pois seus familiares estão com você e você tem um marido que é pai e mãe para você, tão perfeito ele é…”.
“Oh! Sim! É verdade. Certamente não posso me arrepender dele. Em menos de dois meses ele já veio duas vezes, e hoje vem pela terceira vez, enfrentando chuva e vento, para receber ordens minhas… Imagine só: ordens! Eu, uma pobre mulher e muito mais jovem que ele! E ele não me negou nada. Aliás, ele nem espera que eu peça. Parece que um anjo lhe diz o que eu desejo, e ele me diz antes mesmo de eu falar. Da última vez, ele disse: “Maria, acho que você prefere ficar na casa de seu pai. Já que você é herdeira, pode ficar, se quiser. Eu irei à sua casa.” Só que, para cumprir o rito, você irá passar uma semana na casa de Alfeu, meu irmão. Maria já te ama muito. E de lá partirá a procissão que te levará para casa na noite do casamento." Ele não é bondoso? Nem se importou em deixar que dissessem que ele não tem uma casa de que eu goste... Eu sempre teria gostado, porque ele está lá, tão bom. Mas é claro... eu prefiro a minha casa... pelas lembranças... Oh! José é bom!"
"O que ele disse sobre o voto? Você ainda não me disse nada."
"Ele não disse nada contra. Aliás, tendo sabido os motivos, disse: 'Unirei meu sacrifício ao seu.'"
"Ele é um jovem santo!" diz Ana de Fanuel.
# **4** O "jovem santo" entra neste momento acompanhado por Zacarias.
Ele é literalmente esplêndido. Todo em amarelo dourado, parece um soberano oriental. Um cinto esplêndido sustenta uma bolsa e um punhal, um de couro marroquino bordado a ouro, o outro em uma bainha também de couro marroquino bordado a ouro. Na cabeça, um turbante, o tecido usual usado como capuz, como ainda se usa por certos povos africanos, os beduínos, por exemplo, preso por um aro precioso, um fino fio de ouro ao qual são amarrados ramos de murta. Ele veste um manto novinho em folha, cheio de franjas, no qual se envolve com majestade, e irradia alegria. Nas mãos, segura ramos de murta florida.
"A paz esteja contigo, minha noiva!", saúda. "A paz esteja com todos." E, tendo recebido a saudação em resposta, ele diz: "Vi a tua alegria naquele dia em que te dei o ramo do teu jardim. Pensei em trazer-te murta, colhida perto da gruta tão querida para ti. Queria trazer-te rosas, que já estão a florir junto à tua casa. Mas as rosas não duram vários dias de viagem... Eu teria chegado apenas com espinhos. E quero oferecer-te, amada, apenas rosas, e espalhar pelo caminho flores macias e perfumadas, para que possas pisar nelas sem encontrar sujeira ou aspereza.
"Oh! Obrigada, boa! Como é que conseguius que chegassem tão frescas?"
"Amarrei um vaso à sela e dentro coloquei os ramos com as flores desabrochando. Ao longo do caminho, elas floresceram. Aqui estão, Maria." Que sua testa seja adornada com pureza, símbolo da noiva, mas sempre, sempre muito menos do que aquilo que há em seu coração."
Isabel e as professoras adornam Maria com a guirlanda de flores, formada por tufos brancos de murta presos ao círculo precioso, e entrelaçados com pequenas rosas brancas, retiradas de um vaso sobre um baú.
Maria pega seu grande manto branco e o coloca sobre os ombros. Mas o noivo se adianta e a ajuda a prender o manto sobre os ombros com duas fivelas de prata. As professoras arrumam as dobras com amor e graça.
# **5.** Tudo está pronto. Enquanto esperam por algo, José diz (recuando um pouco com Maria): "Tenho pensado muito sobre o teu voto. Disse-te que o partilho. Mas quanto mais penso nisso, mais compreendo que um Nazaré temporário, mesmo que renovado muitas vezes, não basta. * Compreendi-te,* Maria. Ainda não mereço a palavra da Luz. Mas um murmúrio me chega. E isso permite-me ler o teu segredo, ao menos nas suas linhas mais fortes. Sou um pobre ignorante, Maria. Sou um pobre trabalhador. Nada sei de letras e não tenho tesouros. Mas coloco o meu tesouro aos teus pés. Para sempre. A minha * castidade absoluta* , para ser digno de estar ao teu lado, Virgem de Deus, "minha irmã esposa, jardim fechado, fonte selada", como diz o nosso antepassado ( *Cântico dos Cânticos 4:12* ) , que talvez tenha escrito o Cântico dos Cânticos vendo-te... Serei o guardião deste jardim de especiarias, onde se encontram os frutos mais preciosos e de onde brota uma fonte de água viva com suave ímpeto: a tua doçura, ó Noiva que com tua candura conquistou meu espírito, ó toda bela. Mais bela que a aurora, sol que brilha porque teu coração brilha, ó todo amor por teu Deus e pelo mundo, a quem queres dar o Salvador com teu sacrifício como mulher. Vem, minha amada”, e ele a toma delicadamente pela mão, conduzindo-a à porta.
Todas as outras os seguem, e lá fora suas companheiras se juntam à celebração, todas de branco e com véus.
# **6** Eles caminham por pátios e pórticos, em meio à multidão que observa, até chegarem a um ponto que não é o Templo, mas que se assemelha a uma sala reservada para o culto, pois há lâmpadas e pergaminhos como nas sinagogas. Os noivos se aproximam de um púlpito alto, quase como uma cadeira, e esperam. Os outros se alinham atrás deles em uma fila organizada. Outros sacerdotes e espectadores se reúnem ao fundo.
O Sumo Sacerdote entra solenemente. Um murmúrio entre os espectadores pergunta: "É ele a noiva?"
"Sim, porque ele é da casta real e sacerdotal. Flor de Davi, e Arão a noiva, e virgem do Templo. O noivo é da tribo de Davi."
O Pontífice coloca a mão direita da noiva na do noivo e os abençoa solenemente: "O Deus de Abraão, Isaque e Jacó esteja convosco. Que Ele vos una e cumpra a Sua bênção em vós, concedendo-vos a Sua paz e numerosa posteridade com longa vida e uma morte abençoada no seio de Abraão." E então ele se retira, tão solenemente quanto entrou.
A promessa é trocada. Maria se casa com José.
Todos saem e, ainda em ordem, vão para uma sala onde é redigido o contrato de casamento, no qual consta que Maria, filha-herdeira de Joaquim de Davi e Ana de Arão, traz como dote ao noivo sua casa e bens relacionados, seu enxoval pessoal e todos os demais bens que herdou de seu pai.
Tudo está consumado.
# **7** Os noivos saem para o pátio e o atravessam, em direção à saída perto dos aposentos das mulheres designadas para o Templo. Uma carruagem confortável e pesada os aguarda. Uma tenda está estendida sobre ela para protegê-los, e os pesados caixões de Maria já estão lá.
Despedidas, beijos e lágrimas, bênçãos, conselhos, recomendações, e então Maria entra na carruagem com Isabel e se acomoda dentro dela, com José e Zacarias à frente. Eles já tiraram suas vestes festivas e estão todos envoltos em mantos escuros.
A carruagem parte em um trote pesado, puxada por um cavalo escuro. Os muros do Templo ficam para trás, e depois os da cidade, e lá está o campo, novo, fresco, florescendo nos primeiros raios de sol da primavera, com os campos de milho a uma boa distância do chão, parecendo esmeraldas reduzidas a minúsculas folhas balançando em uma brisa leve, com cheiro de flores de pêssego e maçã, cheiro de trevo florido e hortelã-brava.
Maria chora baixinho, sob o véu, e de vez em quando afasta a cortina e olha novamente para o Templo distante, a cidade que deixou para trás…
Assim termina a visão.
# ** 8 Jesus diz:**
# «O que diz o livro da Sabedoria ( *Sp 7,22-27)* quando canta os seus louvores? "Na sabedoria reside o espírito da inteligência, santo, único, multifacetado, sutil." E continua enumerando as suas qualidades, terminando o parágrafo com as palavras: "...que tudo pode, tudo prevê, que compreende todos os espíritos, inteligente, pura, sutil. A sabedoria penetra com a sua pureza, é o vapor da virtude de Deus... por isso não há nela nada de impuro... imagem da bondade de Deus. Embora seja única, tudo pode, imutável como é, renova tudo, comunica-se às almas santas e forma os amigos de Deus e os profetas."»
# **9** Viste como José, não pela cultura humana, mas pela instrução sobrenatural, sabe ler o livro selado da Virgem Imaculada e como se aproxima de verdades proféticas com sua "visão" de um mistério sobre-humano onde outros viam apenas grande virtude. Imbuído dessa sabedoria, que é o vapor da virtude de Deus e uma certa emanação do Todo-Poderoso, ele navega com espírito seguro no mar desse mistério de graça que é Maria, sintonizando-se com ela com contatos espirituais nos quais, mais do que lábios, são dois espíritos que se falam no silêncio sagrado das almas, onde ele ouve apenas as vozes de Deus e aqueles que são gratos a Deus, porque são Seus servos fiéis e cheios d'Ele, as percebem.
# A sabedoria do Justo, que cresce pela união e proximidade com Toda a Graça, prepara-o para penetrar nos segredos mais profundos de Deus e para ser capaz de protegê-los e defendê-los das armadilhas do homem e do demônio. E, ao mesmo tempo, renova-o. O justo torna-se santo, o santo torna-se o guardião da Esposa e do Filho de Deus.
Sem levantar o selo de Deus, ele, o casto, que agora eleva sua castidade ao heroísmo angélico, pode ler a palavra de fogo escrita no diamante virginal pelo dedo de Deus, e lê ali o que sua prudência não revela, mas que é muito maior do que o que Moisés leu nas tábuas de pedra. E, para que o olhar profano não toque no Mistério, ele se coloca, selo sobre selo, um arcanjo flamejante no limiar do Paraíso, onde o Eterno se deleita, "passeando à sombra da tarde" e conversando com Aquela que é seu amor, um bosque de lírios em flor, uma brisa perfumada com especiarias, uma brisa de frescor matinal, uma estrela vaga, a delícia de Deus. A nova Eva está ali, diante dele, não osso de seus ossos nem carne de sua carne, mas a companheira de sua vida, a Arca viva de Deus, a quem ele recebe como sua guardiã e a quem deve purificar para Deus, assim como a recebeu.
"Noiva de Deus" estava escrito naquele livro místico com suas páginas imaculadas... E quando a suspeita, na hora da provação, assobiou seu tormento sobre ele, ele, *como homem e como servo de Deus* , sofreu, *como nenhum outro* , pelo suposto sacrilégio. Mas este era o teste que viria. Agora, neste tempo de graça, ele *vê* e se coloca no mais verdadeiro serviço de Deus. Depois virá a tempestade da provação, como acontece com todos os santos, para serem provados e feitos cooperadores de Deus.
# **10** O que está escrito em Levítico ( *Levítico 16:2-4)* ? “Diga a Arão, seu irmão, que nunca entre no santuário que está por trás do véu, diante do propiciatório que cobre a Arca, para que não morra; porque eu aparecerei na nuvem acima do oráculo, até que tenha feito o seguinte: oferecerá um bezerro como oferta pelo pecado e um carneiro como holocausto; vestirá uma túnica de linho e cobrirá a sua nudez com calções de linho.”
E, de fato, José entra, quando Deus quer e na medida em que Deus quer, no santuário de Deus, além do véu que esconde a Arca, sobre a qual paira o Espírito de Deus, e oferece a si mesmo e oferecerá o Cordeiro, holocausto pelo pecado do mundo e expiação desse pecado. E ele faz isso, vestido de linho e com seus membros viris mortificados para abolir o senso que, outrora, no princípio dos tempos, triunfou violando o direito de Deus sobre o homem, e que agora será subjugado no Filho, na Mãe e no suposto Pai, para reconduzir os homens à Graça e restaurar a Deus o Seu direito sobre o homem. Ele faz isso com sua castidade perpétua.** José**
não estavano Gólgota? Parece-vos que ele não está** entre os corredentores** ? Em verdade vos digo que ele** foi o primeiro, e por isso é grande aos olhos de Deus** .** Grande em sacrifício, paciência, constância e fé.** Que fé é maior do que esta, a de crer sem ter visto os milagres do Messias?
# **11** Louvado seja meu pai adotivo, um exemplo para vocês daquilo que mais lhes falta: pureza, fidelidade e amor perfeito. Ao magnífico leitor do Livro selado, ensinado pela Sabedoria a compreender os mistérios da Graça e escolhido para salvaguardar a salvação do mundo contra as armadilhas de todo inimigo.
# **Maria Valtorta: de 'O Evangelho como me foi revelado'**
Créditos na Imagem e Texto Via irmã Natália Coppens.: https://www.facebook.com/nathalia.coppens.2025
Comentários
Postar um comentário