CURIOSIDADES: O CASO DO TUMULO ACORRENTADO: O COROINHA CONTINUOU A TOCAR O SINO DEPOIS DE MORTO!
O CASO DO TÚMULO ACORRENTADO: O COROINHA CONTINUOU A TOCAR O SINO DEPOIS DE MORTO!
Em 1929, na cidade de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais, o silêncio das tardes ainda era regido pelo bronze dos sinos da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Naquela época, ser coroinha era o destino de quase todo menino devoto, e Murillo Arcanjo Araújo, de apenas 13 anos, levava o serviço ao altar com muita seriedade.
No dia 25 de maio, o céu já começava a ganhar aquele tom de cinza do crepúsculo. Murillo subiu os degraus da torre da Matriz com outro coroinha ao seu lado. O colega de batina, mais impaciente e ansioso pela honra de anunciar o Angelus. Houve aquela agitação típica de meninos: a disputa para ver quem puxaria a corda primeiro, quem faria o sino dobrar com mais força.
Murillo, que já estava devidamente paramentado com sua batina, posicionou-se perto do vão da torre enquanto o outro garoto agarrava a corda com ímpeto. No momento em que o sino de bronze balançou em seu eixo pesado, o destino pregou uma peça cruel. O vento ou o próprio movimento do metal fez com que a veste de Murillo enganchasse na estrutura do sino.
Em um solavanco violento, o menino foi arrancado do chão. Quem passava pelo adro da igreja viu apenas um vulto branco e vermelho despencando de uma altura de 20 metros. O baque foi seco. Murillo morreu ali mesmo, aos pés da torre que tanto amava, ainda vestido para a missa que nunca chegaria a servir.
A cidade mergulhou em um luto profundo. A família, num misto de homenagem e desespero, mandou construir no cemitério local uma réplica exata daquela torre fatídica. Murillo foi sepultado ali, com suas vestes de coroinha, como se o tempo pudesse ser congelado naquela última tarde.
Mas o descanso não veio...
Pouco tempo após o enterro, o terror começou a se espalhar. Precisamente às 17 horas ( algunas versões as 18) , o horário exato em que o corpo de Murillo havia baixado à sepultura, a cidade começou a ouvir um som impossível.
O sino da torre da Matriz começava a badalar sozinho. Não era o toque rítmico de um sineiro experiente, mas um toque errático, desesperado, como se mãos invisíveis estivessem tentando desesperadamente chamar a atenção.
Moradores juravam ver vultos brancos no alto da torre no horário do Angelus.
O zelador do cemitério relatava sons de choro vindo de dentro da réplica da torre.
A população estava em pânico. As mães proibiam os filhos de saírem às 17h. O boato era um só: Murillo não sabia que estava morto e continuava tentando cumprir sua obrigação de tocar o sino.
A situação tornou-se insustentável para o clero local. Os padres da Matriz, após consultarem as autoridades eclesiásticas e realizarem orações de sufrágio que não cessaram os barulhos, decidiram por uma medida drástica e simbólica.
Um grupo de padres, munidos de rituais de exorcismo e orações de libertação, dirigiu-se ao túmulo no cemitério.
A crença da época era de que a alna do menino estava "preso" à torre. Para interromper o ciclo de aparições e silenciar o sino fantasmagórico, os padres decidiram aplicar um selo espiritual.
Mandaram forjar correntes de ferro. Em um ritual solene, o túmulo foi "acorrentado". As correntes cercaram a base e o corpo da réplica da torre, simbolizando que a alma de Murillo estava agora vinculado ao solo sagrado, impedido de subir novamente à torre da Matriz para tocar o sino dos mortos.
"Que o ferro segure o que a carne não pôde reter, e que o sino descanse para que a alma encontre o seu caminho."
Até hoje, quem visita o cemitério em Conselheiro Lafaiete encontra o túmulo de Murillo sob a guarda de elos de ferro. As correntes, agora oxidadas por quase um século de exposição ao tempo, ainda abraçam a pequena torre, como se o metal fosse o único selo capaz de garantir o repouso do menino.
Texto Via Padre Reinaldo Bento.: https://www.facebook.com/pereinaldo.bento
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