A DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ ATÉ O SÉCULO XV
A Devoção a São José até o Século XV.
Antes do esplendor do culto josefino, através dos séculos São José foi sempre invocado e teve lugar especial na devoção da cristandade.
Os Menológios e Martirológios das diversas Igrejas faziam não raro menção de São José e da sua festa.
O século V guarda uma grande veneração pelas tradições dos lugares sagrados de Heliópolis no Egito, onde consta ter estado Jesus com Maria e José, na fuga da perseguição de Herodes.
O nome de São José entrou no Martirológio Romano no século VIII.
No século IX celebrava-se a Festa do Santo Patriarca no dia seguinte ao Natal, em 26 de dezembro. Depois passou a ser celebrada em 19 de março.
Em Bolonha, segundo atesta Bento XIV, já existia em 1124 uma Igreja consagrada ao culto de São José.
No século XV algumas almas privilegiadas recebem de Deus a missão especial de propagar e tornar conhecido e amado o Santo Patriarca. Tais são o Beato Herman, Santa Margarida de Cortona, Santa Brígida e Santa Gertrudes.
Estas foram pelos seus escritos e Revelações admiráveis que receberam do Céu, grandes propagandistas e fervorosos apóstolos do culto de São José.
No século XV surge o grande apóstolo que dá início à época áurea do culto Josefino, Gerson, o célebre chanceler da Universidade de Paris. No Concilio de Constança, ante uma assembleia venerável de bispos, pronuncia ele o célebre discurso sobre as glórias e o poder de São José. Falou com eloquência dos privilégios do Santo Patriarca. Expôs pela primeira vez a opinião da santificação de São José no seio materno. Pediu fosse declarado o Santo como Patrono da Igreja Universal. Manifestou o desejo de que fosse celebrada uma festa em honra dos Desponsório de São José com Maria. Esse discurso deixou nos Padres do Concilio a mais grata impressão e começa dai o culto mais fervoroso e universal de São José.
São Vicente Ferrer, Dominicano, morto em 1419 e sobremaneira os dois filhos de São Francisco: São Bernardino de Sena e São Bernardino de Bustes, concorreram para o esplendor do culto Josefino no século XV. Foram ardentes propagandistas das glórias do Santo esposo de Maria.
Santa Teresa d’Ávila.
O século XVI foi o triunfo e esplendor do culto do grande Santo. A figura excelsa e única de Santa Teresa, só ela concorreu mais para a glorificação de São José que muitos outros Santos e teólogos. Não se pode falar da história do culto de São José, sem destacar de modo singular a Matriarca do Carmelo, Tucot, tratando da atividade empregada pela Santa em difundir o culto do Santo assim se exprime: São José deve de certo modo a Santa Teresa a glória que hoje tem no mundo. O mesmo afirma o sábio pontífice Bento XIV.
Desde a sua entrada no Convento d’Ávila, Santa Teresa leva consigo a imagem de São José e quer que todos o honrem. Escreve e propaga com ardor o culto Josefino. Em sua autobiografia a Santa manifesta ardente amor ao Esposo de Maria. Aponta-o como Mestre da vida interior e advogado poderoso em todas as necessidades. Nunca recorri a São José, diz ela, que não fosse atendida.
Deu o nome de São José ao primeiro convento da Reforma Carmelitana. Queria o nome de São José em todos os Mosteiros fundados por ela. É maravilhoso, escreve a Santa Matriarca, é extraordinário o que acontece comigo: todas as graças de que Deus me cumula tanto para a Alma como para o corpo, os perigos de que me tem livrado, tudo devo ao ter invocado a proteção de São José, aos méritos do meu amado Patrono.
Treze fundações tiveram o nome de São José. E após a morte da Santa, por ocasião da sua Beatificação, em 1614, mudaram o nome de São José pelo de Santa Teresa, em todos os Mosteiros em homenagem à nova Beata. A Santa apareceu à Venerável Madre Isabel de São Domingos e lhe disse com tristeza: Diga ao padre Provincial que tire meu nome dos Mosteiros e lhes restitua o nome de São José que possuíam antes.
Não há dúvida, o exemplo, os escritos, e o zelo de Santa Teresa marcaram uma nova era, um novo período na propagação e esplendor do culto de São José. É bem verdade o que diz Tucot: “São José deve o esplendor atual do seu culto à grande Santa Teresa”.
Monsenhor Ascânio Brandão
Comentários
Postar um comentário